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ACM diz que Tasso pode coordenar campanha de Ciro

O rompimento do ex-governador do Ceará Tasso Jereissati com a candidatura de José Serra, na noite de anteontem, antecipou o racha dentro da campanha do PSDB ainda no primeiro turno. Agora, o partido ficou dividido em dois grupos. O paulista, liderado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que apóia Serra. E o nordestino, que tem Tasso […]

Arquivo Publicado em 01/01/2000, às 12h00

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O rompimento do ex-governador do Ceará Tasso Jereissati com a candidatura de José Serra, na noite de anteontem, antecipou o racha dentro da campanha do PSDB ainda no primeiro turno. Agora, o partido ficou dividido em dois grupos. O paulista, liderado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que apóia Serra. E o nordestino, que tem Tasso à frente, cuja preferência pelo candidato Ciro Gomes, da Frente Trabalhista, se tornou oficial.

Em carta ao coordenador da campanha, deputado Pimenta da Veiga (PSDB-MG), Tasso alegou contingências do quadro político local para justificar seu rompimento com a campanha de Serra. Disse que Ciro Gomes sempre foi seu ”aliado natural” e considerou normal seu novo alinhamento. Afirmou, ainda, que não ficará constrangido se Serra compartilhar os palanques no Ceará com ”quaisquer outras forças políticas”.

Serra recebeu a notícia quando estava num comício em Goiânia. Pimenta da Veiga foi encarregado de dar a notícia. Mas o candidato preferiu não supervalorizar a importância da defecção de Tasso. ”Até que enfim. Agora vou conseguir iniciar a minha campanha no Ceará”, disse.

Serra ameaça, agora, retirar o apoio às candidaturas tucanas de Tasso ao Senado e Lúcio Alcântara ao governo cearense. Seu palanque será o do candidato do PMDB ao governo, Sérgio Machado, rompido com Tasso desde o ano passado. Serra marcará uma ida ao Ceará já para a semana que vem.

A posição do ex-governador já era esperada. Foi a primeira conseqüência da nova queda de José Serra nas pesquisas, desta vez apontada pelo Ibope, onde o candidato do PSDB caiu de 12% para 11%, permanecendo na terceira posição – em empate técnico com Anthony Garotinho, do PSB. Outra questão que irritou Tasso foi o fato de o presidente Fernando Henrique insinuar apoio a Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, no segundo turno.

A atitude de Tasso foi, ainda, uma resposta aos recados que recebeu de dirigentes do PSDB. Em tom de ultimato, os tucanos condenaram seu aparecimento ao lado de Ciro no estádio Castelão, em Fortaleza, ontem, durante o jogo amistoso entre a seleção brasileira e o Paraguai. Tasso fez questão de comunicar à direção do partido que adotaria essa atitude. Mas os tucanos temiam a ampliação do efeito-dominó que levasse à novas defecções nos Estados, enfraquecendo ainda mais Serra.

O aparecimento de Tasso ao lado de Ciro provocou contrariedade na cúpula tucana. A articulação do governo do Ceará com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para viabilizar a realização do jogo em Fortaleza foi considerado um ato de campanha política planejado para prestigiar Ciro e marcar o primeiro aparecimento dos dois juntos. Como a seleção brasileira perdeu o jogo, o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA) aproveitou para acusar Tasso de ser ”pé-frio”. ”A seleção brasileira jogou água no chope do Ciro Gomes. Bem feito”, disse Geddel.

O coordenador Pimenta da Veiga chegou a rogar praga. ”Tasso será julgado no futuro e acredito que esse julgamento não lhe será favorável”, afirmou Pimenta.

Jornal Midiamax