A FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul) foi alvo de busca e apreensão do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) na manhã desta terça-feira (21). Segundo o advogado da Federação, André Borges, a investigação é unilateral.

“Uma investigação como essa ela é, neste momento, unilateral. Ou seja a defesa ou investigação ainda não tem ciência do que foi produzido. Portanto [os defensores] ainda não se manifestaram, mas irão se manifestar, com total certeza, em breve pretendendo esclarecer os fatos que levaram a essa medida na manhã de hoje”, diz o advogado.

Sete pessoas foram presas na operação, incluindo o presidente, Francisco Cezário. Segundo o profissional, a operação é recente e a defesa ainda não conhece os motivos que levaram a busca e apreensão e a prisão do presidente.

“Ele está surpreso com tudo isso e disse que pretende colaborar com as investigações, e nós certamente iremos adotar todas as medidas defensivas previstas em lei”, conta a defesa. Cezário é defendido tanto por André Borges quanto por Julicezar Barbosa, que também representam a FFMS.

Ainda conforme informações apuradas pelo Jornal Midiamax, a Operação Cartão Vermelho tem objetivo de investigar crimes de lavagem e desvio de dinheiro da federação, que recebe recursos do Estado e da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

Sede foi alvo de operação

A FFMS foi o último local alvo de buscas da Operação Cartão Vermelho, deflagrada nesta terça, contra grupo liderado por Francisco Cezário, presidente há 26 anos do órgão máximo do esporte no Estado.

Isso porque o funcionário que abriu o local também era um dos alvos. Agentes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) estiveram na casa dele esta manhã. A Federação só foi aberta por volta das 9h40. Antes, o Gaeco deixou dois agentes no local, impedindo a entrada de demais funcionários.

Ainda conforme o advogado, a defesa irá protocolar procuração nos autos para ter acesso ao conteúdo das investigações.

Operação na Federação de Futebol

Operação Cartão Vermelho identificou desvios de mais de R$ 6 milhões. Conforme informações do Gaeco, o grupo liderado por Francisco Cezário realizava pequenos saques de até R$ 5 mil para não chamar atenção dos órgãos de controle. Foram identificados desvios que superaram os R$ 6 milhões de setembro de 2018 a fevereiro de 2023.

Mais de R$ 800 mil foram apreendidos, inclusive em notas de dólar somente durante o cumprimento dos mandados nesta terça-feira, além de revólver e munições.

Assim, os valores eram distribuídos entre os integrantes da organização criminosa. O esquema se estendia também a outras empresas que recebiam altas quantias da federação. Assim, parte dos valores era devolvida ‘por fora’ ao grupo.

A organização criminosa também possuía um esquema de desvio de diárias dos hotéis pagos pelo Estado de MS em jogos do Campeonato Estadual de Futebol.

Equipes do Gaeco cumpriram 7 mandados de prisão preventiva, além de 14 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Três Lagoas.

Conforme o Gaeco, o nome da operação faz alusão ao instrumento utilizado pelos árbitros para expulsar os jogadores que cometem faltas graves durante as partidas de futebol.

Lista de investigados na Operação Cartão Vermelho

Jamiro Rodrigues de Oliveira, vice-presidente da FFMS; Marco Antônio Tavares, vice-presidente e coordenador de competições da federação, que também consta como presidente da Federação de Tênis de Mesa; Aparecido Alves Pereira, delegado de jogos da FFMS; Rudson Bogarim Barbosa que, em publicação do site da entidade, em 2022, constava como gerente da TI da FFMS; Marcelo Mitsuo Ezoe Pereira; Francisco Carlos Pereira Umberto Alves Pereira; Valdir Alves Pereira; Francisca Rosa de Oliveira; Marco Antônio de Araújo; Patrícia Gomes Araújo; Sindicato dos Árbitros Profissionais de Mato Grosso do Sul (Sindarbitros); empresa Invictus Sports.