Esportes

Oficial da PM trava batalha para manter futebol amador em bairro

Competição já chegou a reunir público de 5 mil

Arlindo Florentino Publicado em 12/03/2016, às 13h23

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Competição já chegou a reunir público de 5 mil

Completando nesta temporada 18 anos ininterruptos, o Campeonato Terrinha, disputado na Vila Palmira, no Grande Santo Amaro, é uma das principais competições do futebol amador em Campo Grande. Em finais de semana de rodada normal, o público chega facilmente às mil pessoas, mas em finais, já reuniu cerca de 5 mil torcedores.

O detalhe é que à frente da competição está o Major da Polícia Militar Mário Angelo Ajala, de 53 anos de idade. Ele atua, além de organizador, como árbitro e segurança, não sendo poucas as vezes que teve que agir com rigor para conter atletas e torcedores mais exaltados. Palavras de baixo calão em campo ou fora dele não são permitidas.

Um dos fatos mais curiosos aconteceu durante uma rodada, quando deu voz de prisão a um torcedor que ficou o tempo todo perturbando o árbitro. Ele foi preso por racismo. “Desde o começo do jogo ele ficava xingando o árbitro com ofensas racistas. Primeiro pedi que ele se contivesse mas ele insistiu. Pedi que o árbitro parasse o jogo e dei voz de prisão”, afirmou.

Um dos maiores orgulhos do Major Ajala é com a disciplina, tanto de atletas quanto de torcedores. Em campo, a expulsão não significa suspensão imediata no próximo jogo. “Temos uma comissão que analisa a jogada. Se o caso não for muito grave, o atleta pode até jogar na partida, mas se for um lance muito violento, ele é até mesmo excluído da competição”, explica.

O campeonato já trocou de nome por três vezes e com o passar do tempo ampliou o número de participantes. Primeiro foi Poeirinha e depois Cruzeirinho, até chegar ao nome atual que perite a mais de 10 anos. No primeiro ano, foram oito equipes, aos poucos o número foi aumentando e atualmente está em 28, com cada uma representando um bairro.

Destaques

A competição a cada ano conta com a participação de atletas que já tiveram destaque no futebol profissional, como Tupãzinho, ex-Corinthians; Dubinha, ex Palmeiras, Cene e Comercial; Andrinho, Paulinho Rezende, Tainha, Leopoldo e ainda o deputado Marquinhos Trad. Já recebeu visitas ilustres também, como Biro-Biro, ex-Corinthians e Edu, ex-Santos e seleção brasileira.

Ajala faz questão de frisar que nuca contou com apoio do Governo do Estado ou Prefeitura, para promover os campeonatos. “Os comerciantes da região sempre colaboram e até mesmo alguns moradores nos procuraram para saber se estamos precisando de algo.

Com os moradores, inclusive, é feita uma parceria. “Se a bola cai em uma casa e quebra telhas ou vidraças, nós arcamos com o reparo e ninguém sai prejudicado”, afirmou.

Campinho

A área que ficou conhecida como campo do Terrinha, fica localizado na esquina da Ruas Américo Brasiliense com a Yokohama e é um terreno particular. Constantemente o proprietário instala placas de vende-se, mas não aparecem compradores. “A todo ano surge esta ameaça de venda do campo, mas enquanto não aparecerem compradores vamos mantendo o campeonato” diz aliviado Ajala. Segundo ele o proprietário não cobra aluguel mas foi feito um acordo informal. “Nos comprometemos a manter o local limpo e muitas vezes levamos máquinas para lá e fazemos a limpeza radical. No entanto alguns vizinhos não colaboram e jogam entulho lá, dificultando as ações”, lamenta.

Com a certeza de que está no caminho certo, mantendo a tradição do futebol amador e proporcionando momentos de lazer, o Major Ajala faz o convite para que quem gosta do futebol amador prestigie mais uma rodada do Campeonato do Terrinha, neste fim de semana.

Jornal Midiamax