Esportes

Estádio chileno custou 5 vezes menos que mais barato da Copa

Construção do Estádio La Portada custou R$ 72,4 milhões em valores atuais

Gerciane Alves Publicado em 11/06/2015, às 13h31

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Construção do Estádio La Portada custou R$ 72,4 milhões em valores atuais

O La Serena é uma cidade histórica do Chile – a segunda mais velha do país, atrás apenas da capital Santiago, além de uma atração por suas belas praias e uma rica produção de vinhos. No futebol , porém, está longe do protagonismo: o único clube profissional local, o Deportes La Serena, joga a segunda divisão nacional e não costuma colocar mais de 4 mil pessoas em seu estádio. Ainda assim, é uma das cidades-sede da Copa América de 2015. Por quê? Além do viés turístico, a resposta passa muito pelo novo Estádio La Portada.

Inaugurada em 1952, reconstruída ao longo dos últimos dois anos e reaberta há apenas um mês, a tradicional casa do La Serena é hoje uma arena moderna para 18 mil espectadores. E o custo da demolição do antigo estádio e a construção de um novo causa espanto se for comparado com as obras da Copa do Mundo de 2014 no Brasil: foram gastos cerca de 14,6 bilhões de pesos chilenos, ou R$ 72,4 milhões em valores atuais.

Isso é mais que cinco vezes menos que o custo do estádio mais barato da Copa, a Arena da Baixada, que custou R$ 391 milhões só para ser reformada (segundo dados finais do Ministério do Esporte). Se for levado em consideração o estádio mais barato que teve que ser construído por inteiro, a diferença é ainda maior: a Arena das Dunas, em Natal, que comporta 31 mil pessoas, custou R$ 400 milhões. Também mais de cinco vezes mais cara que o La Portada, mas com nem o dobro da capacidade.

Programa federal e duas licitações

Já estava nos planos da prefeitura de La Serena reformar o estádio desde 2010, mas um terremoto na cidade em fevereiro daquele ano realocou verbas e adiou os planos. A remodelação do La Portada só foi concretizada após a inserção no Programa Chilestadios, um projeto do governo federal para financiar a modernização de campos de futebol profissionais e amadores pelo país. Ou seja, assim como foi regra nas obras do Brasil, a construção foi paga com dinheiro público.

Em julho de 2012, a quantia de 13 bilhões de pesos foi liberada para a obra pelo governo. Em outubro, porém, a única empreiteira interessada na licitação apresentou um orçamento que superava o valor original em mais de um terço. Resultado: licitação anulada, uma nova convocação no mês seguinte, e uma proposta dentro do orçamento desta vez – a vencedora foi a espanhola Copasa. Após um reajuste final, o custo total ficou em 14,6 bilhões de pesos. A demolição aconteceu em março de 2013, e no mês seguinte, as obras do novo La Portada começaram.

Elefante branco?

O La Serena é um time pequeno, cuja maior rivalidade é com o Coquimbo, da cidade vizinha do mesmo nome. O “Clássico da Quarta Região” é atualmente disputado na segunda divisão chilena, onde o La Serena está há três temporadas. A média de público do time no antigo La Portada era de 2.500 pessoas. Será que a nova arena não será um “elefante branco”, com a imensa maioria de suas 18 mil cadeiras quase sempre vazias depois da Copa América?

Ainda é cedo para dizer. A reinauguração aconteceu recentemente, em 15 de maio, com lotação máxima, em um amistoso no qual o La Serena foi derrotado pelo argentino San Martín por 2 a 1. Nos três jogos da Copa América – entre Argentina, Paraguai e Uruguai, todos pelo Grupo B na primeira fase –, certamente o público vai voltar a lotar as arquibancadas. Mas é impossível esperar a mesma assiduidade depois que o torneio terminar.

“Acho que a média de público deve melhorar, porque é uma novidade para a cidade, um estádio que queríamos há muito tempo”, diz o estudante Filippo Núñez, que costuma ir aos jogos do Deportes La Serena e está entusiasmado com o novo La Portada. “Mas é demais esperar que lote todo jogo. Acho que muitas cadeiras ficarão vazias, mas a cidade está crescendo e isso pode melhorar”.

Ao menos o time disputa a segunda divisão nacional e tem calendário cheio durante todo o ano. Jogos não faltarão na nova casa – um contraste com estádios como a Arena da Amazônia e o Mané Garrincha no Brasil, que ficam meses sem uma partida de futebol porque os clubes locais ou não jogam, ou muitas vezes não têm condições de arcar com os custos operacionais das novas arenas. Mesmo se mais da metade do La Portada ficar vazia a partir de julho, o estádio de La Serena já terá batido o de algumas sedes da Copa em sustentabilidade.

Jornal Midiamax