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Copa: Prejuízo de ‘elefantes brancos’ já supera R$ 10 milhões

Contabilidade do gargalo foi levantada por reportagem que avaliou quatro dos doze estádios sede do torneio

Midiamax Publicado em 21/02/2015, às 11h21

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Contabilidade do gargalo foi levantada por reportagem que avaliou quatro dos doze estádios sede do torneio

O prejuízo de três “elefantes brancos” da Copa – os estádios Mané Garrincha (Brasília), Arena da Amazônia (Manaus) e Arena Pantanal (Cuiabá) – para os respectivos contribuintes já atingiu pelo menos R$ 10 milhões desde o fim do Mundial, de acordo com um levantamento feito pela BBC Brasil.

Os dados, de difícil acesso, são incompletos e portanto a conta é uma estimativa. Após três meses de contato com governos e administração dos arenas, a busca iniciada em dezembro não obteve um resultado exato para o balanço (custo de manutenção x arrecadação mensal) desses estádios desde o fim da Copa do Mundo.
A BBC Brasil procurou obter também informações sobre o quarto “elefante branco” do torneio, a Arena das Dunas, de Natal, sem sucesso.

Manaus, Natal, Cuiabá e Brasília não são cidades com tradição no futebol. Por isso, ao serem escolhidas como sedes da Copa do Mundo, despertaram críticas pelo alto investimento público em estádios que corriam risco de ficar sem uso.

A maior dificuldade na busca pelas informações foi a de conseguir respostas com números exatos. Em Brasília, não se sabia quanto o Mané Garrincha custava por mês; na Arena das Dunas, esse valor é desconhecido até hoje; Cuiabá e Manaus foram os únicos que forneceram a informação algumas semanas depois que ela foi solicitada.
O valor da arrecadação ainda não havia sido calculado até o fim do ano passado pelos governos responsáveis pela construção dos estádios.

Passada a troca dos governadores no início deste ano, a BBC Brasil solicitou novamente as mesmas informações às novas administrações de cada Estado.Com exceção da Arena da Amazônia, os outros três estádios estão passando por auditoria para investigar possíveis irregularidades nas contas, que pode indicar o valor real do prejuízo.

Veja a situação de cada estádio:

* Mané Garrincha (Brasília)

“O custo de manutenção (do Mané Garrincha) é praticamente insignificante perto do que está arrecadando”, disse à BBC Brasil Cláudio Monteiro, então secretário extraordinário da Copa em Brasília, em dezembro de 2014. “Pra quem seria um elefante branco, está sendo um estouro.” 

A conclusão do novo governo é um pouco diferente. O estádio de Brasília custa R$ 600 mil por mês, e o valor arrecadado no total desde sua inauguração, em maio de 2013, foi R$ 5,5 milhões. O prejuízo em 19 meses seria de R$ 5,9 milhões.

* Arena da Amazônia (Manaus)
Atualmente, a Arena da Amazônia tem um custo mensal de R$ 700 mil e conseguiu ter bons públicos em jogos do Flamengo e de outros times cariocas. No entanto, apenas sete partidas aconteceram lá desde a Copa. O estádio foi inaugurado às vésperas do Mundial.

Em seis meses após o mundial, foi arrecadado R$ 1,5 milhão até janeiro de 2015, contando jogos do torneio amistoso entre Flamengo, Vasco e São Paulo no início do ano. O prejuízo até aqui seria de R$ 2,7 milhões.

* Arena Pantanal (Cuiabá)

Atualmente, o governo do Mato Grosso gasta R$ 300 mil por mês em manutenção com a Arena Pantanal, inaugurada em abril de 2014. A Arena Pantanal recebeu 15 jogos de futebol em 2014 após a Copa, somando os das séries A, B, C e D. O lucro, no entanto, foi pequeno, já que a arena cobrou apenas R$ 50 mil de aluguel para os jogos da primeira e da segunda divisão e não cobrou pelos outros para “incentivar o futebol local”.

Para piorar, o fluxo de receitas para cobrir os custos foi interrompido no fim de janeiro depois que a arena de 42 mil lugares foi interditada por conta de “irregularidades”. A empresa Mendes Júnior, responsável pela construção, voltou ao local e está fazendo reparos.

Pelos cálculos da BBC Brasil, somente a arena já gerou um prejuízo estimado de R$ 1,4 milhão.

* Arena das Dunas (Natal)

A Arena das Dunas é a única das quatro citadas que não é 100% pública. O estádio foi construído através de PPP (parceria público-privada) com a construtora OAS, que atualmente administra o local.A concessão vale por duas décadas, e o Estado pagará por ela durante os próximos 17 anos. Nos primeiros 11 anos, o governo arcará com uma prestação de R$ 9 milhões mensais; do 12º ano ao 14º, serão R$ 2,7 milhões; e nos últimos três anos, R$ 90 mil.

Ao final de tudo, o governo terá pago mais de R$ 1,2 bilhão pelo estádio. O custo da construção foi de R$ 423 milhões. A Arena das Dunas foi um dos mais utilizados entre os chamados “elefantes brancos” após a Copa. A média de público nos jogos de futebol foi de pouco mais de 9 mil pessoas.

Jornal Midiamax