Taxa Selic a 12,75% complica vida de quem precisa pegar empréstimo com banco

Alta da Selic acontece para frear processo inflacionário no Brasil
| 09/05/2022
- 09:35
Taxa Selic a 12,75% complica vida de quem precisa pegar empréstimo com banco
Empréstimos (Foto: Reprodução)

Taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic (Sistema Especial de Liquidação de Custódia) passou pelo seu 10º aumento consecutivo e vai dificultar ainda mais a vida de quem precisa contratar empréstimos com as instituições financeiras. Usada pelos bancos como base de juros, a Selic passou de 11,75% para 12,75%.

Conforme o economista Queiroz, como a Selic regula a circulação do mercado financeiro, tudo que tem a ver com captação de dinheiro é impactado com a alta da taxa. "Se a pessoa precisa fazer um empréstimo; se a pessoa precisa captar recurso; ela vai pagar mais caro por isso", diz ele ao Jornal Midiamax.

Como a Selic é considerada para calcular os juros dos empréstimos e outras operações de crédito, então é esperado que, com o aumento da taxa básica, também aumentem as que são cobradas dos clientes ao realizar qualquer procedimento de captação de dinheiro, como o cheque especial.

"Os bancos usam a taxa como uma medida de referência, inclusive de captação de recurso entre eles. Quando a taxa de juros Selic está mais alta, os bancos captam recursos e operam com taxas maiores, isso faz com que os empréstimos fiquem maiores", revela.

Alta necessária da Selic

Segundo Tiago, os juros mais altos seguram a inflação, que vem disparando nos últimos meses. "Você vê uma alta histórica nos combustíveis, uma alta histórica de preço dos alimentos, então tudo isso impacta no dia a dia das famílias. É preciso aumentar os juros para conter o processo inflacionário", explica.

A cada 45 dias, o (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, se reúne para decidir se muda ou mantém a taxa Selic. Nesta semana, os executivos decidiram elevar, por unanimidade, a taxa em um ponto percentual. Com isso, a Selic passou de 11,75% para 12,75% ao ano.

"Juros mais altos seguram a inflação. Nós vivemos nos últimos anos um processo inflacionário e por isso o Banco Central decidiu aumentar os juros para controlar a inflação no Brasil que estava alta nos últimos anos", diz o economista.

Tiago explicou que, em tese, quando os juros estão altos, as pessoas gastam menos e poupam mais. "Essa reserva financeira faz com que a inflação se reorganize".

Bom para investidores

Além de influenciar a taxa de juros em operações de crédito, a Selic pesa no desempenho de investimentos financeiros. No dinheiro aplicado com rendimento relacionado à Selic, os investidores conseguem retornos maiores quando a taxa alcança patamares mais altos.

"Esse processo ele é positivo para quem tem dinheiro investido, porque o banco vai pagar mais caro para captar o seu dinheiro. E é negativo para quem tem conta para pagar, então o impacto depende da situação financeira de cada pessoa", avalia o economista.

Maior juro real do mundo

Com o novo aumento da Selic, o Brasil voltou a ter a maior taxa de juro real (descontada a inflação) do mundo, em uma lista com 40 economias. Cálculos do site MoneYou e da Infinity Asset Management indicam que o juro real brasileiro está agora em 6,69% ao ano.

Em segundo lugar na lista que considera economias mais relevantes, aparece a Colômbia (3,86%), seguida do México (3,59%). A média dos 40 países avaliados é de -1,73%.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) considerou “equivocada” a decisão do Copom. Para a confederação, a taxa anterior já era suficiente para garantir uma trajetória de queda da inflação nos próximos meses, argumentando que a alta leva tempo para restringir a atividade e, consequentemente, segurar a alta dos preços.

“Este novo aumento da taxa de juros deve comprometer ainda mais a atividade econômica, que já dá claros sinais de fraqueza. Para a indústria, a intensificação do ritmo de aperto da política monetária piora as expectativas para o crescimento econômico em 2022, com efeitos adversos sobre a produção, o consumo e o emprego”, disse o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, em nota divulgada pela entidade.

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