Ibovespa cai 0,51%, a 116,1 mil pontos, e cede 1,81% na semana

| 14/04/2022
- 18:53
Ibovespa cai 0,51%, a 116,1 mil pontos, e cede 1,81% na semana
Imagem ilustrativa. - (Foto: Reprodução/Agência Brasil)

De dez sessões nesta primeira quinzena de abril, o Ibovespa obteve ganho em apenas três, encerrando o intervalo em baixa de 0,51% nesta quinta-feira, 14 aos 116.181,61 pontos. A perda foi de 1,81% na semana, após queda de 2,67% na anterior, refletindo nesta primeira metade de mês perspectiva ainda mais restritiva para a política monetária em todo o mundo, em meio a pressões inflacionárias que ganharam ímpeto com a guerra no Leste Europeu, sem final à vista.

A semana em que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que as negociações de paz com a chegaram a um "beco sem saída" aproxima-se agora do fim sem que se encontre um caminho facilitador de eventual entendimento entre os beligerantes. Hoje, a disse rejeitar "qualquer pressão ou coerção" sobre seu relacionamento com a Rússia, em resposta a apelo da secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, para que Pequim use o "relacionamento especial com a Rússia" para persuadir Moscou a encerrar a guerra.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian, defendeu a posição da China, dizendo que "fez esforços consideráveis para desarmar a crise e reconstruir a paz". Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, reiterou que 70% do aumento da inflação decorre de efeitos produzidos pela "guerra de Putin", que resultou em pressões sobre commodities agrícolas e de energia.

Nesse contexto de incerteza sobre os juros globais e do momento em que a inflação chegará ao pico, a referência da B3 oscilou hoje entre mínima de 115.623,52 e máxima de 116.781,12, da abertura. Em dia de vencimento de opções sobre ações, o giro financeiro ficou em R$ 26,4 bilhões. No mês, o índice cede 3,18%, colocando os ganhos do ano a 10,84%.

A quinta-feira, véspera de fim de semana prolongado no Brasil e em parte dos mercados no exterior, foi de cautela também em Nova York, com baixa para Dow Jones (-0,33%), S&P 500 (-1,21%) e Nasdaq (-2,14%), enquanto o petróleo estendeu recuperação pelo terceiro dia, após ter fechado a primeira sessão da semana abaixo dos três dígitos no Brent como no WTI. Hoje, ambas as referências subiram mais de 2%, de volta à casa de US$ 111 e de US$ 106 por barril, respectivamente.

Nas mínimas da sessão, abaixo dos 116 mil pontos, o Ibovespa operou no intradia nos menores níveis desde o último dia 21. No fechamento, ficou hoje pelo quarto dia seguido na marca dos 116 mil, vindo de 118 mil nas quatro sessões anteriores, tendo iniciado o mês aos 121,5 mil pontos.

Em semana mais curta, o índice conseguiu se sustentar acima do suporte de 115 mil pontos, "ainda com características de correção da tendência de alta", aponta Pam Semezzato, analista gráfica da Clear Corretora. O dólar, por sua vez, hoje em alta de 0,16%, a R$ 4,6963 no fechamento, tende a seguir relativamente estável "enquanto não perder o suporte de R$ 4,620 ou romper a resistência de R$ 4,800", acrescenta a analista.

ntre os componentes de maior peso no Ibovespa, as ações de Petrobras (ON +0,38%, PN -1,20%) tiveram fechamento misto, em dia negativo para Vale (ON -1,40%) e para a maioria das siderúrgicas (CSN ON -3,31%) e sem sinal único para as de grandes bancos (Itaú PN +0,65%, Unit do Santander -0,48%). Entre as maiores quedas do dia, destaque para Yduqs (-7,09%), Azul (-5,04%) e Iguatemi (-4,20%). No lado oposto, Vibra (+2,81%), Fleury (+2,79%) e JBS (+2,75%).

Aprovada ontem à noite em assembleia de acionistas, a cerimônia de posse do engenheiro José Mauro Coelho na presidência da Petrobras ocorreu nesta tarde. Na cerimônia, Coelho disse que a redução da dívida da empresa abre espaço para maiores investimentos, e que o Brasil tem potencial para ser o quinto maior produtor de petróleo do mundo. "Investimentos não seriam possíveis sem novo modelo de gestão adotado a partir de 2017", acrescentou. "Prática de preço de mercado é condição necessária para ambiente de negócio competitivo, para investimento e garantia de abastecimento", disse também Coelho.

"Tecnicamente, o novo presidente da Petrobras tem credenciais, gabarito para o cargo, mas é preciso ainda esperar para ver a capacidade de movimentação política. É provável que sim, e conta a favor, além da formação, ser uma pessoa próxima ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, bem como experiência na área e no serviço público. Mas o risco de interferência política permanece em aberto, apesar da blindagem já tomada contra ingerências da União, acionista majoritário. Não há como eliminar esse risco completamente", diz Davi Lelis, sócio da Valor Investimentos.

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