Cotidiano / Economia

No Centro, comerciantes ainda precisam lidar com ‘birra’ de clientes por uso de máscaras

Centro de Campo Grande registrou bom movimento de pessoas na véspera do Dia dos Pais; consumidores veem ‘retorno à normalidade’.

Humberto Marques Publicado em 08/08/2020, às 17h02 - Atualizado em 09/08/2020, às 09h17

Movimento foi grande no Centro no sábado (Dayene Paz, Midiamax)
Movimento foi grande no Centro no sábado (Dayene Paz, Midiamax) - Movimento foi grande no Centro no sábado (Dayene Paz, Midiamax)

O fim da tarde deste sábado (8) foi de movimento no Centro de Campo Grande, com famílias inteiras percorrendo lojas em busca de presentes para o Dia dos Pais. Se por um lado o cenário mostra algum aquecimento da atividade comercial, para consumidores entrevistados pelo Jornal Midiamax foi como se a cidade não vivesse, nesse momento, apreensão por conta do aumento de casos de coronavírus (Covid-19).

A reabertura do comércio aos sábados foi decidida há cerca de 15 dias, tendo em vista reclamações do empresariado sobre queda no movimento ao mesmo tempo em que os números do coronavírus continuavam a subir –a análise é de que as aglomerações deixaram os comércios e seguiram para as casas dos campo-grandenses, onde a fiscalização é mais complexa.

A reportagem do Jornal Midiamax esteve no Centro e pode observar um bom movimento nas ruas. Na Rua 14 de Julho, a circulação de pessoas –muitas delas com sacolas nas mãos– era frequente no trecho entre a Avenida Afonso Pena e a Rua Cândido Mariano. Por volta das 16h, porém, muitas lojas já tinham fechado as portas.

“As pessoas estão normais agora, como se não tivesse pandemia”, resumiu a caixa Brenda Joelicy, 23, que pretendia cumprir duas missões neste sábado: comprar presentes para o pai e para um sobrinho, a fim de não ter de retornar novamente ao Centro tão cedo.

Brenda disse não subestimar a Covid-19 porque conhece pessoas que já contraíram a doença, ao passo que conhece outras pessoas que parecem ignorar a pandemia. “No trabalho tem gente que tenta entrar sem máscara e pedimos para colocar. As pessoas ficam bravas. Tenho medo de pegar [o coronavírus], porque conheço quem já teve. Só vim rápido comprar os presentes para não ter de voltar depois”.

Gerente de uma loja de lingeries, Michele Rodrigues, 36, também disse ver tudo “normal” em Campo Grande.

“Ninguém está levando a sério, o movimento das lojas é normal. O campo-grandense não tem medo”, afirmou ela, que havia saído do trabalho e disse que aproveitou para, rapidamente, também buscar um presente alusivo ao Dia dos Pais.

Como funcionária do comércio, Michele admite os incômodos causados por alguns detalhes da pandemia: ela afirma não aguentar mais usar máscara, mas entende a necessidade da proteção. Da mesma forma, afirma ser necessário exigir o aparato dos clientes, mesmo daqueles que não concordam com o item.

“Tem quem não respeita e não quer usar máscara, pedimos para usar e, às vezes, a pessoa ensaia ir embora da loja. Quando restringimos, somos tratados mal. É para o próprio bem da pessoa, que não quer e acaba sendo grossa, às vezes”, lamentou a gerente, segundo quem a prática de biossegurança começou a ser seguida no estabelecimento em que trabalha bem antes de se tornar uma exigência por lei municipal.

Motorista que vinha trabalhando apenas com corridas particulares, Leonardo de Lima, 36, precisou suspender o isolamento social de cerca de 3 meses para buscar o presente comprado pelo irmão, que vive no Pará, para o Dia dos Pais.

“Não estava saindo para lugar nenhum, nem parece que existe pandemia. É a primeira vez que vim no Centro e todo o lugar está lotado. O jornal fala uma coisa e a população faz outra”, afirmou, explicando que a compra foi feita à distância para ser retirada em uma loja do Centro. “O movimento é normal, muitas pessoas andando sem máscara, crianças e famílias juntas comprando”, reiterou.

Na tarde de sexta-feira (7), boletim da Secretaria Municipal de Saúde confirmou 12.330 casos positivos de coronavírus em Campo Grande, dos quais 10.189 pacientes já se recuperaram. Há 1.676 pacientes em isolamento domiciliar e 290 internados (139 em UTI), além de 175 mortes. A Defensoria Pública foi à Justiça solicitar um lockdown de 14 dias diante do avanço no volume de casos, medida descartada pela prefeitura –que atribui os números à alta testagem e reforça haver leitos hospitalares suficientes para atender a eventual demanda.

Jornal Midiamax