Cotidiano / Economia

Após forte atuação do BC, dólar cai e fecha a R$ 3,42

Após alta de 8,63% 

Ana Paula Chuva Publicado em 16/11/2016, às 21h12

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Após alta de 8,63% 

O dólar interrompeu a sequência de quatro altas seguidas e fechou em queda nesta quarta-feira (16), mas ainda acima do patamar de R$ 3,40, em meio a maior atuação do Banco Central no câmbio para tentar conter a volatilidade da moeda norte-americana após a incerteza global provocada pela vitória de Donald Trump nos Estados Unidos.

A moeda norte-americana encerrou o dia em queda de 0,56%, vendida a R$ 3,4217, após ter acumulado alta de 8,63% nas últimas 4 sessões

Acompanhe a cotação ao longo do dia

Às 9h09, queda de 0,32%, a R$ 3,4295
Às 9h39, queda de 0,57%, a R$ 3,4212
Às 10h, queda de 0,65%, a R$3,4182
Às 11h, queda de 0,38%, a R$ 3,4277
Às 11h40, queda de 0,529%, a R$ 3,4266
Às 13h20, queda de 0,785%, a R$ 3,4138
Às 15h40, queda de 0,73%, a R$ 3,4155
Às 16h30, queda de 0,30%, a R$ 3,4305

Na segunda-feira, último pregão antes do feriado, o dólar subiu 1,43%, vendido a R$ 3,4408 – maior cotação de fechamento desde 16 de junho (R$ 3,47).

No mês de novembro, o dólar acumula alta de 7,3% ante o real. No ano, ainda tem queda de 13,3%.

O dólar caiu ante o real a despeito de, no exterior, subir ante várias divisas de países emergentes, como o rand sul-africano, peso chileno e peso mexicano.

Intervenção BC

Na noite de segunda-feira, o BC anunciou intervenção maior do mercado de câmbio para este pregão, já que na véspera esteve fechado pelo feriado da Proclamação da República. O BC vendeu todos os 10 mil novos swap cambial tradicional ofertados, equivalentes à venda futura de dólares, e também colocou todos os 20 mil contratos para rolagem dos swaps que vencem em 1º de dezembro, segundo a Reuters.

"Houve uma piora rápida e significativa após a vitória de Trump e a porta de saída era pequena para a fuga rápida do fluxo. A ação do BC provendo liquidez ajudou", comentou à Reuters o economista da corretora Guide Investimentos, Luis Gustavo Pereira.

A ação do BC veio em conjunto com a do Tesouro Nacional que, além de suspender os leilões de venda de LTN e NTN-F desta semana, anunciou leilões diários de compra de Notas do Tesouro, Série F (NTN-F), também devido à volatilidade dos mercados.

A atuação mais forte veio em meio ao aumento das preocupações de que a política econômica de Trump seja inflacionária e, assim, obrigue o Federal Reserve, banco central norte-americano, a elevar mais os juros na maior economia do mundo, com potencial para atrair recursos aplicados hoje em outros mercados, como o brasileiro.

Nesta manhã, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, afirmou que o câmbio flutuante tem funcionado e que não há patamar de câmbio para a autoridade monetária.

No final da semana passada, Ilan já havia afirmado que a autoridade monetária continuaria atuando no mercado de câmbio, ressaltando que o estoque de swaps tradicionais é menor hoje em dia, em cerca de 25 bilhões de dólares, o que dá "conforto" para a ação do BC.

Efeito Trump

Em sua campanha à Presidência, Donald Trump prometeu criação de empregos principalmente por meio de gastos em infraestrutura, o que pode gerar inflação e obrigar o Federal Reserve, banco central norte-americano, a ser mais agressivo em sua política de elevação das taxas de juros.

Juros mais altos nos Estados Unidos têm potencial para atrair recursos aplicados em outros mercados, como o brasileiro, motivando, assim, uma tendência de alta do dólar em relação a moedas como o real.

Dados do Banco Central divulgados nesta quarta mostraram, entretanto, que a entrada de dólares no Brasil continuou superando a saída no início do mês, apesar da vitória de Trump. Neste mês, até dia 11, US$ 924 milhões entraram na economia brasileira.

Jornal Midiamax