Cotidiano / Economia

Vale despenca 8% e derruba Bovespa; Petrobras cai 3%

O principal índice da bolsa, o Ibovespa caiu 0,82%, a 47.645 pontos

Diego Alves Publicado em 14/01/2015, às 22h07

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O principal índice da bolsa, o Ibovespa caiu 0,82%, a 47.645 pontos

O Bovespa fechou em baixa nesta quarta-feira, guiada pela forte queda nas ações da mineradora Vale, pressionada por preocupações sobre o crescimento global que têm pesado sobre o preço de commodities.

O principal índice da bolsa, o Ibovespa caiu 0,82%, a 47.645 pontos. Na máxima, chegou a subir 0,5%, a 48.280 pontos. O giro financeiro somou R$ 5,8 bilhões.

As preferenciais da Vale despencaram 7,77%, a maior queda desde 8 de agosto de 2011, após o preço do minério de ferro na China cair próximo da mínima em mais de cinco anos. O Citi cortou a projeção para o preço do minério de US$ 65 para US$ 58 a tonelada em 2015.

Bradespar, uma das principais acionistas da Vale, recuou 7,49%, mesmo após seu Conselho de Administração ter elevado na véspera o volume de ações em programa de recompra para até 24,8 milhões de papéis.

A Petrobras foi outro componente negativo, com recuo de 2,89%, em meio a volatilidade nos preços do petróleo e noticiário intenso sobre a estatal, enquanto investidores seguem na expectativa do resultado do terceiro trimestre, previsto para o dia 27.

A alta do setor bancário, principalmente de Itaú Unibanco e Bradesco, chegou a sustentar o principal índice da bolsa paulista no azul na segunda etapa do dia.

A corretora do Credit Suisse observou a compra de ações de bancos privados, principalmente por parte de agentes locais. “Nossa percepção é a de que, após o grande tombo no setor da educação no começo do ano, os bancos seguiram um dos poucos ‘portos seguros’ em nosso mercado”, afirmou.

Na nota a clientes, a corretora também citou que a principal discussão é sobre a exposição das instituições à operação Lava Jato, mas que alguns investidores com quem conversou nos últimos dois dias “permanecem bastante confortáveis em dizer que eles, por enquanto, não esperam uma relevante alta, se houver, nas provisões dos bancos e que os resultados do quarto trimestre virão fortes o suficiente para sustentar as ações.”

Mas a deterioração em Wall Street minou a tentativa de recuperação no pregão local. O corte das projeções do Banco Mundial endossou apreensões sobre o ritmo da economia global, com dados fracos do varejo americano reforçando vendas, conforme agentes avaliam os primeiros balanços em Nova York.

A Embraer ficou entre as maiores quedas, com recuo de 5,39%, após rever a projeção de fluxo de caixa livre em 2014 de levemente positiva em dois dígitos para negativa da ordem de US$ 400 milhões (aproximadamente R$ 1 bilhão). Na noite da véspera, a fabricante de jatos informou a entrega de 30 jatos comerciais no quarto trimestre e que cumpriu as entregas previstas para o ano passado.

Já o Grupo Pão de Açúcar perdeu 3,5%, um dia após a maior varejista do País divulgar avanço de 16,2% na receita líquida do quarto trimestre ante igual período de 2013. Em nota a clientes, o BTG Pactual considerou os dados fracos, mas disse continuar com uma visão positiva para o papel, dada a sua resiliência e perfil mais defensivo.

A Sabesp caiu 1,22%, emendando a quarta queda seguida, após a 8ª Vara da Fazenda Pública do Estado de São Paulo confirmar na véspera liminar contra a cobrança de sobretaxa de até 100 por cento nas contas de consumidores que excederem média de consumo. O governo paulista, controlador, vai recorrer.

A operadora de telefonia Oi chegou a subir 9,8%, mas acabou fechando em queda de 6,75%, com investidores na expectativa de desfecho da venda dos ativos portugueses da operadora brasileira ao grupo europeu Altice, após o adiamento de assembleia para analisar a questão.

Na contramão, a Souza Cruz subiu 4,07%, após o JPMorgan iniciar cobertura da empresa com recomendação “overweight”, citando elevação menor de tributos e racionalidade da competição.

Também na ponta positiva, Estácio avançou 1,56%, após o Citi iniciar a cobertura da ação com recomendação de “compra”, citando, entre outros fatores, que a empresa deve continuar melhorando margens.

Tractebel Energia valorizou-se 5,41% após o JPMorgan elevar o papel para “overweight”, citando otimismo com novos projetos e reprecificação da capacidade não contratada.

Jornal Midiamax