Cotidiano / Economia

Mudança no sistema de financiamento de imóveis atinge a classe média

Novos valores têm tumultuado o mercado imobiliário

Isaias Domingues Publicado em 20/05/2015, às 17h53

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Novos valores têm tumultuado o mercado imobiliário

Maio começou com más noticias para quem pretende financiar um imóvel. No dia 4 a Caixa Econômica Federal anunciou mudanças na forma de financiamento da casa própria para imóveis acima de a R$ 190 mil, elevando as taxas de juros anuais e a tarifa de avaliação, além de diminuir o valor total do financiamento de imóveis usados. O Banco do Brasil, assim como bancos privados, não demorou muito para aderir a ideia e no inicio da semana anunciou os novos números para financiamentos feitos com recursos da caderneta de poupança.

O economista Marcos Augusto, do Sindicato da Habitação de Mato Grosso do Sul, explica que os novos valores têm tumultuado o mercado imobiliário e causado expectativas negativas para as projeções de venda deste ano, tanto para quem procura o primeiro imóvel, quanto para as famílias que pretendem se mudar para uma casa maior, isso porque, além das taxas de juros subirem de 9,05% para 9,45% ao ano, a Caixa, responsável por 70% dos financiamentos do País conforme o economista, também diminuiu o valor total do financiamento do imóvel usado para 50%, ou seja, o valor de entrada terá que ser muito maior.

Katiuscia Reis, projetista de uma loja de móveis planejados, está procurando um imóvel na faixa de R$ 300 mil e comenta que as mudanças só não adiaram o sonho da casa própria porque ela e o marido já estavam se preparando para dar um valor maior na entrada do imóvel. “Nós já estamos investindo alto na compra da nossa casa, então como não queremos uma dívida muito longa, já estávamos nos preparando para dar pelo menos uns 70% do valor na entrada, mas o aumento de juros anual realmente tem nos deixado frustrados”, explica.  A projetista disse que pretende financiar o imóvel pelo Banco do Brasil, que no dia 18 deste mês, passou a cobrar 10,4% e não mais 9,9% nas taxas de juros anuais.

O Banco do Brasil também aumentou a tarifa de avaliação de imóvel de R$ 800 para R$ 2.200, defendo que o valor cobrado era defasado e não correspondia com a realidade do mercado. O banco Itaú também reduziu o porcentual máximo de financiamento de 80% para 70%. O Bradesco e o Santander reajustaram as tabelas do crédito imobiliário, mas não alteraram o valor total do financiamento.

Marcos Augusto explica que em média os bancos vão subir 0,5% no valor da taxa de juros anuais, mas destaca que estas mudanças se aplicam apenas aos imóveis acima de R$ 190 mil, portanto quem pretende comprar uma casa pelo programa “Minha Casa, Minha Vida”, até R$ 170 mil, não precisa se preocupar, por enquanto.

Jornal Midiamax