Cotidiano / Economia

Dólar cai 2,39%, maior queda diária em mais de um mês, e fecha a R$ 3,771

É a maior queda percentual diária desde 24 de setembro

Diego Alves Publicado em 03/11/2015, às 21h19

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É a maior queda percentual diária desde 24 de setembro

O dólar comercial fechou esta terça-feira (3) com queda de 2,39%, valendo R$ 3,771 na venda. É o menor valor de fechamento desde 9 de outubro, quando a moeda valia R$ 3,759.

Também é a maior queda percentual diária desde 24 de setembro, quando a moeda teve desvalorização de 3,73%. Na véspera, não houve negociações por conta do feriado do Dia de Finados.

Na última sessão, na sexta-feira, o dólar tinha subido 0,23%, mas terminou outubro com desvalorização de 2,59%, interrompendo uma sequência de três meses de avanço. No ano, a moeda acumula valorização de 41,82%.

'Nível tão baixo não deve continuar'

Investidores têm evitado fazer grandes operações nas últimas semanas, em meio ao clima de intensas incertezas.

O operador da corretora de um banco nacional disse, sob condição de anonimato, que não acredita que o dólar deve se sustentar em níveis tão baixos, uma vez que, no cenário local, as preocupações econômicas e políticas persistem.

"Esse movimento de hoje está exagerado, porque o volume está muito baixo. Está preocupante. O telefone não toca na corretora", afirmou.

Expectativa de entrada de dólares

Investidores também estavam atentos ao cenário nacional. Há expectativa de novas entradas de recursos no país se for aprovada na Câmara uma medida que permite regularizar bens não declarados de brasileiros no exterior.

"Se esse projeto passar no Congresso, podemos imaginar um fluxo positivo significativo e o mercado está se antecipando a isso", disse o operador de uma corretora nacional à Reuters.

Além disso, operadores citavam expectativas de fluxos de entrada ligados a operações de empresas. Na véspera, a Hypermarcas anunciou a venda de seu negócio de fabricação e venda de cosméticos para a francesa Coty por R$ 3,8 bilhões.

Atuações do BC

A queda de hoje também foi influenciada pela atuação do Banco Central. Nesta tarde, o BC ofertou até US$ 500 milhões com compromisso de recompra em dois leilões extras.

No primeiro, foram ofertados contratos com recompra em 2 de fevereiro de 2016; no segundo, com recompra em 4 de abril. Segundo a assessoria de imprensa do BC, a operação não tem como fim rolar contratos já existentes.

Um dos objetivos desses leilões é oferecer dólar em uma época de maior procura, sobretudo de exportadores, segundo operadores ouvidos pela agência de notícias Reuters.

Além disso, pela manhã, o BC também fez o primeiro leilão de swaps cambiais (equivalentes à venda futura de dólares) para rolar os contratos que vencem em dezembro, vendendo a oferta total de até 12.120 contratos.

Com isso, o BC rolou cerca de 5,5% do lote total para dezembro, que equivale a US$ 10,905 bilhões. Se mantiver esse ritmo até o penúltimo pregão deste mês, como de praxe, o BC rolará integralmente o lote do mês que vem.

Os leilões de rolagem servem para adiar os vencimentos de contratos que foram vendidos no passado.

Jornal Midiamax