Cotidiano / Economia

Desvios na Petrobras são página virada, diz analista de mercado

"Expectativa é de que o balanço que será divulgado na quarta-feira traga valores transparentes"

Midiamax Publicado em 19/04/2015, às 02h05

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“Expectativa é de que o balanço que será divulgado na quarta-feira traga valores transparentes”

Os desvios na Petrobras já são página virada para os investidores, afirma o analista de investimentos da Clear Corretora, Raphael Figueredo. “Em relação a números, o tamanho do prejuízo é o que menos importa neste momento. O que o mercado espera agora é que a companhia informe seu balanço de forma transparente”, completa o especialista.

Na noite desta quinta-feira (16), a empresa publicou comunicado confirmando que o balanço auditado será divulgado na próxima quarta-feira (22). Para Raphael, o rombo poderá ficar entre R$ 14 e R$ 28 bilhões de reais. Mais do que cobrir o tamanho do prejuízo, Raphael acredita que o desafio para a empresa é retomar a credibilidade e voltar a atrair os investidores. “A Petrobras é uma companhia gigantesca que sofreu com a corrupção e com a demora para divulgar o balanço. Isso tudo afugentou os investidores”, comentou.

A divulgação do balanço auditado chama a atenção não só dos investidores mas também das agências de classificação de risco, que rebaixaram as recomendações da empresa nos últimos meses por conta das incertezas geradas com as polêmicas da Operação Lava Jato e a queda de preços de suas ações. Para Raphael, “a empresa mostra que está retornado ‘aos trilhos’ e dá um recado às agências de risco para que revejam suas notas de recomendação”.

Empresa nega que Pré-sal fará parte de política de desinvestimentos

A petroleira publicou recentemente seu plano de desinvestimentos no valor de US$ 13,7 bilhões, mas negou que o Pré-sal estará incluído. Em relação ao tema, Raphael Figueredo acredita que a empresa deveria diminuir sua participação no Pré-sal como uma forma de fazer caixa, vendendo alguns blocos dos campos de exploração. Ele considera também que a abertura para outras empresas exploradoras pode ser saudável para a competitividade. 

Além da participação da empresa garantida por lei de no mínimo 30% em todas as licitações para exploração do petróleo nas bacias de Campos e de Santos, a companhia também possui outros contratos com maiores percentuais. 

Ações da Petrobras têm alta de 40% nos últimos 2 meses

No mercado financeiro, a empresa mostra, aos poucos, recuperação de seu valor. Desde que Aldemir Bendine assumiu a presidência da empresa, no dia 6 de fevereiro, os ADR’s (american Depositary Receipts) e as ações preferenciais (PETR4) e ordinárias (PETR3) da empresa já apresentam valorização de mais de 40%.

No caso dos ADR’s, que são cotados em dólar, as valorizações flutuaram em torno do câmbio. Em 6 de fevereiro, os certificados de depósito tinham preço de US$ 6,54, o que, com o dólar cotado a R$ 2,77, custavam R$ 18,11. Atualmente, com a cotação do dólar a R$ 3,04, os ADR’s custam em torno de US$ 8,79 (R$ 26,72). Valorização de 45%. 

O mesmo ocorreu com as ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Os papéis preferenciais (PETR4) e ordinários (PETR3) custavam R$ 9,12 e R$ 9,03, respectivamente. Nesta sexta (17), fecharam cotados a R$12,95 e R$ 13,18. Altas de 41% e 45%, respectivamente. 

Como todas as empresas do setor, as ações da Petrobras sofrem variações de acordo com a cotação do barril do petróleo, que tem os piores preços desde a crise de 2008. No período de fevereiro até a atualidade, o preço do barril em reais manteve valor praticamente estável, em torno dos R$ 177. 

Jornal Midiamax