Cotidiano / Economia

Fazenda de político assassinado vai a leilão em Mato Grosso do Sul para quitar impostos

Uma das mais luxuosas propriedades rurais no interior de MS deve ser leiloada para quitar dívidas deixadas pelo político com o fisco sul-mato-grossense.

Arquivo Publicado em 13/11/2011, às 11h00

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Uma das mais luxuosas propriedades rurais no interior de MS deve ser leiloada para quitar dívidas deixadas pelo político com o fisco sul-mato-grossense.

Uma das propriedades rurais mais famosas na cidade sul-mato-grossense de Três Lagoas, a 338 quilômetros de Campo Grande, será leiloada em breve pela Vara de Fazenda Pública e Registros Públicos do Fórum de Justiça de Três Lagoas para quitação uma dívida fiscal de R$ 270 mil com o Estado do Mato Grosso do Sul.


A Fazenda San Marino é parte do patrimônio deixado pelo ex-secretário de Fazenda de Maringá (PR), Luiz Antonio Paolicchi. Ele chamou a atenção do País inteiro quando foi descoberto um esquema de corrupção na prefeitura maringaense que teria desviado R$ 500 milhões, em valores atualizados.


A fortuna teria sido torrada em imóveis, incontáveis festas, viagens internacionais e presentes caros a amigos e companheiros.


O político paranaense voltou a ser notícia há 18 dias, quando foi encontrado morto no porta-malas do próprio carro. Paolicchi levou quatro tiros e são muitas as especulações sobre quem seria o mandante do assassinato.


Dinheiro em MS


Um dos capítulos do enredo de glória e ruína de Paolicchi foi escrito na fazenda San Marino, que fica a 180 km do município de Três Lagoas. Lá o ex-secretário paranaense de origem italiana construiu um complexo que chama a atenção de fazendeiros e trabalhadores na vizinhança.


“Fazenda San Marino? Não tem como errar. É uma propriedade enorme, com a porteira bem chamativa e um muro de tijolinhos vermelhos”, informa um trabalhador rural para a equipe de reportagem do jornal paranaense O Diário, que o abordou em busca de localização nos caminhos sem pavimento das fazendas sul-mato-grossenses.


“Com 2,7 mil hectares, a Fazenda San Marino abriga uma vasta extensão de pastos, curvas de nível bem planejadas, área regularizada de reserva legal e um complexo com dez construções, incluindo uma mansão de 700 m2 e pista de pouso para aeronaves”, ressalta a reportagem do jornal.


Segundo O Diário, desde que o desfalque de Paolicchi na Prefeitura de Maringá foi descoberto, em 2000, ficou complicado manter a Fazenda San Marino, que acabou abandonada. “Apenas um terço do pessoal que tocava o complexo em seu apogeu permanece no local atualmente – uma equipe de meia dúzia de pessoas”.


Segundo o processo na Vara de Execução Fiscal de Três Lagoas, o tributo que gerou a dívida deveria ter sido pago em 2000, quando Paolicchi encerrou a operação com gado na Fazenda. Ele teria vendido 306 bezerros, 607 bezerras, 45 bois e 168 vacas, num total de R$ 300 mil em negócios, mas não teria recolhido o ICMS para o fisco de Mato Grosso do Sul.


O Estado de MS registra atualmente R$ 310 mil em dívida ativa no nome de Paolicchi, já com as custas processuais. Com a pendência, o Poder Judiciário já bloqueou as propriedades do ex-secretário paranaense no município e em breve deve ocorrer a abertura de leilão para as áreas.


Segundo informações no cartório do Fórum, falta apenas cumprir o prazo para que o representante do réu recorra da decisão, o que não foi feito até o momento. O assassinato de Paolicchi não muda a decisão judicial. A cobrança da dívida vai incidir sobre o espólio, que deve ficar com a mãe do ex-secretário. (Com informações do O Diário)

Jornal Midiamax