Cotidiano / Consumidor

Com corredores lotados, situação da Santa Casa continua sem solução

Impasse entre maior hospital da Capital e Prefeitura prejudica pacientes

Wendy Tonhati Publicado em 03/08/2017, às 14h10

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Impasse entre maior hospital da Capital e Prefeitura prejudica pacientes

A superlotação da Santa Casa de Campo Grande segue sem uma solução. Nesta quinta-feira (3), muitos pacientes da ala verde- menos grave- aguardavam nos corredores. Outros, esperam vagas no CTI (Centro de Terapia Intensiva). As salas de cirurgia, por exemplo, estão lotadas de enfermos do CTI e, pelo menos 70 procedimentos cirúrgicos deixam de ser feitos com isso. 

O hospital –que possui cerca de 600 leitos- deixou de receber pacientes na tarde da última quarta-feira (2) e, não há nenhuma medida emergencial a ser tomada. De acordo com o superintendente da Santa Casa, Augusto Ishi, o hospital já recebeu como resposta, que “não há dinheiro novo a ser direcionado à entidade”. O estabelecimento médico continua com o mesmo teto financeiro de 2016 e, segundo Ishi, é impossível entregar a mesma qualidade de serviço do ano passado.

Diante dessa situação, o hospital não está aceitando novos pacientes e somente os que já estão internados recebem o atendimento. A situação deve continuar assim até que os internados tenham alta-médica e os leitos possam ser ‘desafogados’. 

Com corredores lotados, situação da Santa Casa continua sem solução

Além do cenário local, o superintendente ainda relaciona a superlotação a outros dois fatores: a crise econômica no país que fez com que nos últimos dois, muitas pessoas que tinham plano de saúde passassem a usar o SUS (Sistema Único de Saúde) e o envelhecimento da população. 

Ao deixar de atender novos pacientes, o hospital acionou o MPE (Ministério Público Estadual) em relação a situação de superlotação e fez um boletim de ocorrência por preservação de direito, em relação a possíveis acusações de omissão de socorro. Membros do CRM MS (Conselho Regional de Medicina) também foram ao hospital.

Balanço

De acordo com informações da Santa Casa, divulgadas nesta quinta-feira (3), a ala vermelha – que atende pacientes graves – conta com 6 leitos e chegou a ter 22 pacientes na quarta. Nesta quinta, o número caiu para 10.

O CTI tem capacidade de 93 leitos e todos estão lotados. Na quarta, havia sete pacientes esperando vaga. Agora, dois ainda aguaram. As sete salas de cirurgias estavam com pacientes de CTI com isso, o hospital deixa de realizar, em média, 70 cirurgias.

Na traumatologia, 17 pessoas aguardavam por cirurgia na quarta. O número ainda não foi atualizado. Na ala verde –caso menos graves- que conta com cinco leitos, há 32 pacientes, sendo que muitos estão no corredor.

Os 19 pacientes do centro-cirúrgico passaram por cirurgia, 17 esperam para seguir à enfermaria e dois para o CTI, que está lotado. No pós-operatório são 16 vagas e 17 pessoas operadas esperando vaga. Ainda na quarta, um paciente que estava em regime de CTI e esperava vaga de CTI do Hospital do Câncer morreu.

Impasse

O impasse entra a ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande) –mantenedora da Santa Casa e a Prefeitura resultou na suspensão de cirurgias eletivas na última terça-feira (1º). Segundo o hospital, apenas procedimentos já agendados seriam realizados. No primeiro semestre de 2017 foram realizadas 7.173 cirurgias eletivas, sendo 1.598 apenas em junho.

A decisão foi tomada no último dia 24 e anunciada para o dia 1 de agosto. No dia 25, a direção do hospital e representantes da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública) se reuniram para discutir o assunto, mas não chegaram a um acordo.

A medida é uma forma de pressionar a Prefeitura em relação à contratualização do hospital. O contrato foi encerrado em dezembro de 2016 e desde então, ao menos oito aditivos foram assinados para manter os serviços e o repasse de R$ 20,2 milhões oriundos do governo Federal, Estado e Município.

Jornal Midiamax