A área atingida por incêndios florestais no Pantanal de Mato Grosso do Sul aumentou 19 vezes em 2024 em comparação com 2023. Os dados se referem ao monitoramento de incêndios florestais realizado entre 1° de janeiro a 16 de junho, ou seja, período menor que seis meses, demonstrando que o cenário pode piorar ainda mais.

No ano passado, foram queimados 17.050 hectares de Pantanal neste período, já neste ano foram incendiados 338.675 hectares. Grande parte das regiões devastadas pelo fogo são áreas protegidas, como Unidades de Conservação e terras indígenas.

As informações foram analisadas pelo Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul) e pelo CBMMS (Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Mato Grosso do Sul), sendo divulgadas nesta segunda-feira (17).

Queimadas no Pantanal 

Segundo o levantamento, o número de focos de calor no Pantanal cresceu mais de 18 vezes de um ano para o outro, subindo de 81 registros em 2023 para 1.500 em 2024.

Entre os municípios que concentram 96,8% dos focos de calor no Pantanal estão Corumbá (82,6%), Aquidauana (8,0%) e Porto Murtinho (6,2%), conforme dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Em Corumbá, a população convive com fumaça intensa das queimadas há 13 dias. Os incêndios florestais ocorrem em período mais crítico entre julho e setembro, porém são 1.269 focos no Pantanal em 16 dias de junho. O cenário coloca o município em primeiro lugar no ranking nacional de focos por cidade, segundo dados do Inpe.

Queimadas no Cerrado

Os números relativos às queimadas registradas no Cerrado são menos críticos. Em 2023, foram registrados 135.575 hectares de área queimada nesse bioma, número que caiu 31,9% em 2024. No período analisado deste ano, foram 92.275 hectares queimados.

Área de queimada (Divulgação – CBMMS).

No entanto, em relação aos focos de calor, o número praticamente dobrou, saltando de 468 registros no ano passado para 814 em 2024. 

Já em relação ao número de ocorrências de incêndios florestais atendidas pelo CBMMS, foram 1.183 atendimentos realizados entre 1° de janeiro e 16 de junho de 2023. No entanto, esse número disparou em 2024, sendo atendidas 2.075 ocorrências no mesmo período deste ano.

“Ressalta-se que as plataformas de monitoramento de focos de calor por satélite não distinguem queimas prescritas ou queimas controladas de incêndios florestais”, detalha o Cemtec no relatório.

“O CBMMS já está em atuação na região de incêndios desde o dia 2 de abril e já foram empregados um efetivo de 286 bombeiros e bombeiras militares nas ações de prevenção, preparação e combate aos incêndios florestais”, diz ainda o informativo. 

Previsão meteorológica 

Para os próximos dias, a previsão indica continuidade do tempo quente e seco na maior parte do Mato Grosso do Sul. A probabilidade é de temperaturas acima dos 30°C e 32°C, aliado à baixa umidade relativa do ar, com valores entre 20% e 30%.

Além disso, é preciso ressaltar que o Estado está há muitos dias consecutivos sem chuvas (mais de 30 dias em algumas regiões), ou seja, as condições meteorológicas atuais e as previstas são “extremamente favoráveis para ocorrência e rápida propagação dos incêndios florestais em Mato Grosso do Sul”, alerta ainda o relatório. 

Risco extremo

No Pantanal de MS, o perigo de fogo encontra-se entre o risco “muito alto” a “extremo” para o dia 22 de junho de 2024.

A previsão da probabilidade de fogo para esse trimestre, que compreende os meses de junho, julho e agosto, mostra que a maior parte do território do Estado encontra-se entre o nível de alerta de “Atenção” e “Alerta”. Já municípios das regiões central, leste, norte e nordeste do Estado encontram-se no nível de “Alerta alto”.

Mato Grosso do Sul em emergência ambiental

No dia 10 de abril o Governo de Mato Grosso do Sul publicou o decreto n° 25 que declara estado de emergência ambiental em todo o Estado, por 180 dias, devido às condições climáticas que favorecem a propagação de focos de incêndio sem controle. Entre as ações, estabelece as queimas prescritas.

Conforme o decreto, cabe ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) disciplinar o licenciamento da atividade de queima controlada. E a queima prescrita deve seguir as rotinas estabelecidas no Comunicado CICOE nº 01 de 15 de junho de 2022, do Centro Integrado de Coordenação Estadual.

Com relação a áreas identificadas com acúmulo de biomassa, com alto poder de combustão, identificadas pelo Sifau (Sistema de Inteligência do Fogo em Áreas Úmidas), o Estado poderá prescrever e autorizar a realização de queimas controladas ou de queimas prescritas, mesmo durante a vigência deste Decreto e auxiliar a realização de queimas prescritas em áreas particulares.

Também está prevista a realização de aceiros com até 50 metros de largura de cada lado de cercas de divisa de propriedade. Por fim, o decreto também dispensa o Governo de licitação para a contratação de itens e serviços pertinentes a queimadas.

*Matéria editada em 19/07/2024 para atualização de dados relativos à quantidade de hectares queimados no Cerrado em 2023 e 2024.