Campo Grande registra atualmente três casos de esporotricose em felinos, sendo dois na região do Danúbio Azul e um no Aero Rancho. Os dados são da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). 

O último caso de esporotricose em Campo Grande foi registrado em 2021, em um felino que veio de Corumbá – região endêmica da infecção pelo fungo do gênero Sporothrix.

A doença, que afeta felinos e o ser humano, causa lesões na pele. A principal causa é o fungo Sporothrix brasiliensis, encontrado em plantas, espinhos de arbustos, árvores e vegetação em decomposição.

No caso do ser humano, a doença é mais comum em pessoas que trabalham com jardinagem sem a devida proteção por terem maior contato com a terra. 

Já no caso dos gatos, os que têm acesso à rua e com maior instinto territorialista, são os mais vulneráveis por se envolverem em brigas com outros animais contaminados. 

Além disso, as chances de infecção dos animais com acesso à rua aumentam com o hábito de escavar e afiar as unhas em árvores, caso não tenha os devidos cuidados relacionados à saúde.

Doença tem cura

Outro ponto destacado pela Sesau é que a doença tem tratamento para animais e o ser humano, “facilmente evoluindo para a cura”. Segundo a pasta, a esporotricose não é considerada grave. 

O CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) realiza ações de bloqueio com a notificação dos casos, “realizando coletas, quando julgado necessário, nos animais que apresentem lesões suspeitas”, afirma a Sesau. 

Contraindicado uso do termo “doença do gato”

gato adoção
Gatos são vítimas da doença. (Henrique Arakaki, Midiamax)

A Esporotricose também é conhecida popularmente como “doença do gato”, termo que é contraindicado, pois os felinos não são causadores da doença, mas vítimas da infecção, como os seres humanos, transmitida pelo fungo do gênero Sporothrix

Além disso, o uso do termo “doença do gato” pode levar os animais a serem vítimas de maus-tratos e abandonos. 

O que geraria um surto da infecção, visto que com o acesso às ruas e brigas entre animais, o fungo é propagado, aumentando o número de animais infectados”, alerta a Secretaria Municipal de Saúde. 

Quase 50 pessoas contaminadas

Entre janeiro de 2019 e maio de 2023, 48 pessoas testaram positivo para esporotricose em Mato Grosso do Sul, a maioria em Corumbá e Ladário. Os dados são do CRMV-MS (Conselho Regional de Medicina Veterinária).

Os primeiros casos da doença em humanos surgiram em Mato Grosso do Sul em 2016, mas apenas em 2021 a notificação dos casos positivos passaram a ser obrigatórios no Estado. 

“Como a notificação obrigatória de suspeitas e confirmações é recente, ainda não é possível afirmar se houve aumento de casos. Mas certamente as notificações têm aumentado, o que pode significar que os médicos estão atentos tanto para o diagnóstico quanto para a importância da notificação”, explicou o órgão em outubro deste ano.

O Conselho de Medicina Veterinária informou que recomenda aos profissionais que notifiquem confirmações da doença à vigilância em saúde dos municípios, porém, ressaltou que a notificação não é obrigatória, o que dificulta o rastreamento da circulação da doença, inclusive, a criação de políticas públicas para prevenção, tratamento e controle para animais e humanos.

Médicos veterinários podem notificar casos suspeitos ou confirmados de esporotricose animal em Mato Grosso do Sul pessoalmente às autoridades de saúde, por e-mail (gtzoonosesms@gmail.com), pelo telefone (67) 3318-1847 ou pelo link redcap.link/esporotricoseanimal.