Com pouco mais de 5 mil habitantes, Rochedo, a 82 km de Campo Grande, é conhecida como a Capital dos diamantes. Em 1931, a descoberta de diamantes atraiu milhares de pessoas e trouxe o desenvolvimento repentino à cidade. Com o tempo, o número de habitantes estagnou e a cidade se manteve como a nona menor de Mato Grosso do Sul.

Dados do Censo Demográfico 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que entre 2010 e 2022, Rochedo cresceu 14,09%, passando de 4.922 para 5.199 habitantes. Ou seja, em doze anos o município ganhou apenas 277 moradores.

Com uma área territorial de 1.309,574 km², a cidade possui uma densidade demográfica de 3,97 habitantes por km². Dentre os 79 municípios de MS, Rochedo ocupa a 71ª colocação entre as mais populosas do Estado.

A formação do povoado iniciou em 1931, com a chegada de nordestinos que acamparam às margens do Rio Aquidauana na tentativa de descobrir possíveis mouchões diamantíferos no percurso do rio.

Rochedo foi batizada por garimpeiros em referência ao leito rochoso do rio Aquidauana. Em 1943, a partir de um decreto-lei estadual, o nome mudou para Distrito de Taveira. Somente em 1948, o nome voltou a ser Rochedo, quando se tornou oficialmente município.

Caça aos diamantes

Vanderlino de Souza Moura
Vanderlino de Souza Moura foi um dos garimpeiros mais famosos da cidade (Foto: arquivo/pessoal)

No século XVIII, o Brasil liderou a produção mundial na extração de diamantes. Com o avanço do garimpo, a produção de pedras preciosas foi ficando cada vez mais escassa no país.

Nos anos 30, a descoberta de uma jazida de diamantes atraiu todos os olhares para um pequeno vilarejo situado em Mato Grosso do Sul, que mais tarde viria a se tornar o município de Rochedo.

O primeiro diamante foi encontrado pelo baiano José Antônio: uma pedra de 16 quilates que pesava cerca de 3,2 gramas.

Coordenador do projeto Mídia e Ciência, o jornalista e pesquisador André Mazini explica que após a descoberta, o município inteiro foi construído em torno da caça às pedras preciosas.

“Na época em que foram encontrados os diamantes, Rochedo era um povoado muito pequeno e em pouco tempo chegaram mais de 5 mil pessoas. Isso impactou diretamente na logística da cidade que não tinha estrada adequada, saneamento básico e nenhuma estrutura para receber tudo isso de gente”, explicou.

André Mazini conta que ao passo que a cidade crescia pela extração dos diamantes, crescia também a insegurança. Casos de violência se tornaram tão recorrentes que as autoridades precisaram reforçar a segurança da região.

“A segurança precisou ser feita por um destacamento militar e um delegado. Na época isso não era algo comum para uma cidade pequena”, ressaltou.

Filha de um dos garimpeiros mais famosos da região, a professora Maria Estelita Moura, 57 anos, relembra com saudade as histórias que o pai contava sobre a extração da pedra preciosa.

“Meu pai chegou na cidade em 1945. Quando ele era vivo me contava todas as histórias da caça aos diamantes. Ele sempre falava de um fazendeiro que vendeu uma pedra enorme em Campo Grande por um preço muito baixo, mas depois descobriu que valia mais e perdeu muito dinheiro com isso”, conta.

Vanderlino de Souza Moura, pai de Maria Estelita Moura era uma figura conhecida por todos na cidade. Diferente da maioria, Vanderlino não chegou a Rochedo em busca dos diamantes; o que o levou à cidade foi a notícia de que um primo estaria na região. Contudo, no meio do caminho ele descobriu que o primo havia morrido durante a 2ª guerra mundial.

“Meu pai era de Minas Gerais, saiu de lá atrás de um primo após ficar entre a vida e a morte. Quando chegou em São Paulo descobriu que ele havia morrido na guerra e acabou vindo parar em Rochedo. Como o negócio aqui na época era o diamante, ele começou a garimpar”, relembra.

Durante o tempo em que foi garimpeiro, Vanderlino chegou a encontrar pequenos diamantes, mas com o tempo a profissão não era mais tão rentável e ele decidiu migrar para a área de manejo de gado em uma fazenda da região. Em 2021, a prefeitura de Rochedo decidiu homenageá-lo com a criação do Museu do Garimpeiro Vanderlino de Souza Moura.

No local, artefatos inéditos e recuperados por familiares dos garimpeiros podem ser apreciados pelos visitantes. A ideia é que o museu preserve a história para que as próximas gerações possam ver e descobrir contos nunca ditos e fotos nunca vistas de uma cidade que carrega a história da Capital do Diamante.

Maria Estelita Moura - Rochedo
Maria Estelita Moura na inauguração do museu em homenagem a seu pai (Foto: Arquivo/pessoal)

Desenvolvimento a passos lentos

Com a diminuição dos achados de diamantes na região, a exploração da jazida foi reduzida e a população diminuiu consideravelmente, o que viabilizou a emancipação política da pequena cidade.

Em 23 de novembro de 1948, a cidade foi elevada à categoria de município com a denominação de Rochedo pela Lei nº 204, sendo desmembrado de Campo Grande.

Segundo o pesquisador André Mazini, em regiões onde há exploração de pedras preciosas é comum que haja um fluxo migratório repentino e temporário.

“A região recebeu muita gente por um certo período, ganhando destaque e relevância política. Depois, a medida que as pedras já não eram encontradas as pessoas foram embora deixando um legado, tanto positivo quanto negativo”.

Mazini ressalta que apesar dos avanços sociais e econômicos, o garimpo trouxe também inúmeros impactos ambientais negativos para a região.

“A exploração acarreta em diversos danos ao meio ambiente, afeta à flora e fauna da região. Apesar disso, a caça aos diamantes foi uma experiência histórica determinante para o desenvolvimento daquela cidade”, enfatiza o pesquisador.

Devido ao desenvolvimento rápido e passageiro, os meios rudimentares utilizados na garimpagem desencadearam a queda da produção e estagnação do povoado, que foi agravado pela partida de grande parte dos garimpeiros que migraram para outras partes do país à procura de riquezas.

Os poucos moradores que ficaram decidiram voltar sua atenção para a agricultura, pecuária e extração da madeira, onde viram uma nova possibilidade econômica.

Passados 92 anos, o crescimento populacional do município seguiu de forma lenta. Conforme o IBGE, o patamar de 5 mil habitantes só foi alcançado novamente em 2020.

Atualmente, a economia de Rochedo é baseada no agronegócio. A principal indústria da cidade está localizada na área rural, há 7 km do município. A indústria do ramo frigorífico emprega mais de 800 funcionários.

Cachoeira dos Diamantes

Cachoeira dos diamantes
Cachoeira dos diamantes é um dos principais atrativos turísticos da cidade (Foto: Divulgação/Agesul)

Hoje, mesmo com o fim das jazidas de diamantes, a cidade preserva a memória da extração das pedras preciosas em seu principal ponto turístico, a Cachoeira dos Diamantes.

Banhada pelo Rio Aquidauana, a cachoeira se formou da junção entre as pedras e o rio. De fácil acesso, o local é ideal para o turismo contemplativo devido à força de suas águas.

Em junho deste ano, a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul) anunciou uma obra de urbanização e paisagismo que promete transformar a Orla da Cachoeira dos Diamantes em um paraíso para moradores e turistas.

Conforme o projeto, serão implantados calçadas, bancos, pergolados, bicicletários, quiosques, parquinho infantil, deck e academia ao ar livre. Ao todo, serão investidos R$ 3,2 milhões na obra.