VÍDEO: Condomínio onde criança morreu afogada teve até 'desfile da vergonha' para ladrão de botijões

Síndica diz que taxa de inadimplência é de 61% e que maioria não respeita regras e ‘incita o ódio’
| 18/04/2022
- 10:48
VÍDEO: Condomínio onde criança morreu afogada teve até 'desfile da vergonha' para ladrão de botijões
Menino foi encontrado neste sábado (Foto: Leonardo de França, Midiamax)

Horas após a morte de um menino, vítima de afogamento, no sumidouro de um condomínio no bairro Aero Rancho, região sul da cidade, os moradores denunciaram o que qualificaram como ‘desfile da vergonha’ no local. Segundo relatos enviados ao Midiamax, nesta segunda-feira (18), um foi flagrado e obrigado a circular pelo condomínio com os dois botijões furtados por ele dentro do condomínio. 

“Não temos segurança nenhuma e aconteceu mais um fato esse final de semana. Tivemos furtos de dois botijões. Até aí normal porque, como não temos segurança, tudo certo, só que os objetos foram recuperados pela síndica e o ladrão teve que desfilar pelo condomínio. Foi um desfile a céu aberto para todos os moradores, como punição”, argumentou o morador. 

Outra testemunha, que também reside no local e prefere não se identificar, disse que o ladrão agiu durante a madrugada e o fato foi divulgado em grupos de WhatsApp. “Logo depois do crime,  dois homens apareceram e fizeram o ladrão desfilar do início ao fim do condomínio. Eles entram, mexem nas lixeiras e a síndica autoriza essa situação. Foi a maior discussão esse caso. Teve gente que achou certo, outros acharam um absurdo e outros falaram que tinha que ter chamado a polícia”, argumentou. 

Síndica nega desfile e diz que condomínio está ‘uma bagunça’

A reportagem questionou a síndica sobre a reclamação de não só estes moradores, bem como outros que conversaram com o Midiamax neste fim de semana e disseram que o acidente com o menino era “uma tragédia anunciada”.

Segundo ela, realmente não só este caso como outros que aconteceram eram “uma tragédia anunciada”, algo que ela dizia e vinha defendendo em assembleias com os moradores.

“O condomínio está uma bagunça atualmente, com 61% de inadimplência de uma taxa mensal de R$ 75. Eu coloquei em discussão se os moradores preferiam ter um vigia noturno ou porteiro e eles preferiram porteiro, só que a maioria não coloca o condomínio em dia e não tem como contratar. A taxa ficaria em R$ 100, mas, a pauta foi reprovada em dezembro e muitos só ficam em grupos de WhatsApp incitando o ódio”, argumentou. 

Atuante como síndica desde outubro de 2021, a mulher de 43 anos também fala que os pais não aceitaram as regras estabelecidas sobre o parquinho. “Eu pedi pra colocar placas de informação nos 14 blocos, dizendo que crianças precisam estar acompanhadas dos pais a todo momento, nas áreas comuns, nos blocos, só que ninguém respeita. As placas foram impressas, só que tem mais de 2 mil moradores aqui e, quando não gostam, ficam fazendo ameaças. Estou inclusive separando os prints, áudios e vou ter que ir na delegacia”, lamentou.

Recentemente, ela contou que um morador disse que colocaria cadeado no portão às 22h. “Aqui a maioria faz o que quer, estoura cadeado, colocada cadeado e tá difícil controlar. Esse episódio do menino não foi o primeiro. Em setembro do ano passado, se eu não me engano, um motorista embriagado atropelou uma criança, da mesma dessa vítima de agora. Eu fui na Agetran [Agência Estadual de Transporte e Trânsito] e solicitei um quebra-molas. Penso em fazer gestão, mas, todo mundo deveria ajudar”, ponderou. 

Menino
Movimentação em local onde menino foi encontrado morto, neste sábado (16).

Menino procurava pipa

Conforme as primeiras informações, a criança estaria procurando uma pipa quando caiu no local, que é de difícil acesso e onde há placas de alerta de perigo. Segundo moradores, desde que o menino desapareceu as buscas não pararam.

Tenente Alencar, do Corpo de Bombeiros, disse que o poço onde o menino foi encontrado tem em média 1,5 metro. O pai contou que o portão estava aberto.

Antes, a mãe do menino informou o sumiço, dizendo que ele estava brincando com outras crianças no chamado quintal coletivo do condomínio.

Ao iniciar a procura pelo filho, a mãe percebeu que o portão do condomínio estava aberto. Ela acreditava que seu filho, que sempre passeava com ela pelas ruas próximas, poderia ter saído da área do condomínio.

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