Uma mulher de 18 anos alega ter perdido o bebê de 4 meses, após ação de desocupação executada na segunda-feira (13) em Campo Grande, no bairro Los Angeles. Depois do ocorrido, a vítima relatou sangramento intenso e procurou a Maternidade Cândido Mariano, que também teria demorado com o atendimento.

O relato é da paciente Wélica Vitória Peres Martins, de 18 anos, que teria pedido o bebê de 4 meses por conta da ação. “Eu estava na invasão naquele dia. Eles chegaram apontando a arma pra mim e comecei a passar mal de nervoso. Eu tentei pegar minha caderneta de gestante e mostrar que eu estava grávida, pra eles agirem com mais calma. Mas ele só falou que se eu não saísse ia atirar em mim, e eu andei com a arma apontada nas minhas costas. Não deu tempo de tirar nada do barraco”, disse ela.

Pessoas também teriam tentado gravar a ação, mas foram impedidas. “Um amigo do meu marido tentou gravar, mas outro guarda apontou a doze [se referindo ao calibre da arma] e ameaçou ele. Falando que não era pra gravar”, disse ela.

Forças da GCM durante a desocupação (Foto: Leitor / Midiamax)

O fato ocorreu na segunda-feira (13), a mesma começou a sangrar no mesmo dia. Na terça-feira (14), o sangramento se intensificou e a mulher procurou atendimento na Maternidade Cândido Mariano.

Atendimento antes

No entanto, a mulher passou por atendimento uma semana antes, no dia 9, na Santa Casa de Campo Grande, após ter uma queda da própria altura. Ela teve um sangramento e suspeitava já ter pedido o bebê. O exame de ultrassom pedido diz que há presença do saco gestacional, mas com ‘embrião não visualizado’.

“Disseram pra gente que como o colo do útero estava grosso e fechado, o feto estava bem. E pediram para a gente voltar para casa”, relatou o marido.

Maternidade demorou para atender

“Eu e meu marido chegamos na maternidade Cândido Mariano às 23h da terça-feira, comigo sangrando muito, mas falaram que eu tinha que esperar. Fui atendida somente às 2h da madruga, me passaram um soro para dor e falaram que eu teria que aguardar a ultrassom pela manhã”, disse ela.

A mulher relata que seu estado de saúde piorou durante a madrugada, mas não houve atendimento médico. “Sangrei mais durante a noite, acordei pior do que estava e com pelotas do bebê [feto] que saíram de dentro de mim. Fizeram a ultrassom no fim da manhã, e o médico disse que tinha perdido meu filho. Ele disse que ia inserir um comprimido em mim para terminar de limpar meu útero e fazer raspagem”, explicou.

Então, ela desabafou. “Acordei hoje e estava tudo na cama, as pelotas, não fui atendida. Levantei pra tomar banho e me mandaram esperar a ultrassom. Ninguém me atendeu mesmo estando sagrando. Estou destruída por dentro. Era meu primeiro filho, tínhamos planejado. Ia descobrir o sexo do bebê essa semana”, disse.

A desocupação

Na manhã da segunda-feira (13), famílias que ocupavam uma área na região do Los Angeles, em Campo Grande, viram os barracos sendo destruídos com o que havia dentro. Este é o relato das aproximadamente 70 famílias, que estavam vivendo no local desde sexta-feira (10).

Equipes da Polícia Militar e GCM (Guarda Civil Metropolitana) acompanharam a ação da Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano). “A gente não tem onde morar. O que vamos fazer agora?”, disse ao Midiamax um dos moradores.

Em nota enviada ao Midiamax, a Sesdes (Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social), responsável pela Guarda Civil Metropolitana, informou que qualquer cidadão que se sinta de alguma maneira constrangido ou que tenha sido abordado (a) de maneira indevida, ou qualquer outro comportamento que se atente contra a legislação vigente, pode procurar a ouvidoria e corregedoria da SESDES”.

O Jornal Midiamax acionou a Maternidade Cândido Mariano para obter um posicionamento dos envolvidos, mas até a publicação desta matéria não obtivemos retorno. Este espaço segue aberto para posicionamentos, que serão incluídos assim que encaminhados.

(Matéria editada dia 16/06 às 9h para acréscimo de informações)