Crianças que convivem com imunossuprimidos não conseguiram se vacinar em Campo Grande, relatam pais

Apesar de Resolução, Sesau alega que município pode estabelecer regras conforme quantitativo de doses recebidas
| 15/01/2022
- 18:18
Crianças que convivem com imunossuprimidos não conseguiram se vacinar em Campo Grande, relatam pais
Foto ilustrativa | Reprodução

Crianças que convivem com pessoas com alto risco para evolução grave de covid em Campo Grande não conseguiram ser imunizadas neste sábado (15), data em que teve início a imunização de crianças de 5 a 11 anos. Conforme relatos recebidos pelo Jornal Midiamax, houve negativa de aplicação de doses em alguns pontos de imunização, como a Seleta, mesmo com resolução estadual determinando o grupo como prioritário.

Conforme a Resolução Nº 07/CIB/SES, assinada pelo secretário Geraldo Resende (Secretaria de Estado de Saúde) e por Rogério Santos Leite (presidente do Cosems - Conselho Nacional de Secretarias Municipais), a vacina contra covid prioriza sua aplicação em "crianças que vivam em lar com pessoas com alto risco para evolução grave de COVID-19", à frente mesmo de crianças sem comorbidades.

resolucao ses cosems - Crianças que convivem com imunossuprimidos não conseguiram se vacinar em Campo Grande, relatam pais
Trecho da Resolução Nº 07/CIB/SES

 

Neste sábado, no entanto, criançãs de 11 anos que fazem aniversário até abril, sem comorbidades, já estavam sendo vacinadas, segundo calendário divulgado pela (Secretaria Municipal de Saúde).

"Na minha casa temos uma pessoa imunossuprimida e minha filha não conseguiu se vacinar. Negaram a vacina e colocaram outra faixa etária na frente, sendo que o Ministério da Saúde coloca minha filha como prioridade. Achamos um desrespeito", detalhou uma mulher que pediu para não ser identificada.

Outro relato, semelhante, traz que uma criança que convive com uma pessoa que fez transplante de medula óssea também não conseguiu ser imunizada pela mesma razão. "A informação que a gente viu era que primeiro iam abrir para crianças com comorbidades e quem convive com quem tem comorbidade. Mas negaram a vacina na Seleta. Voltei com meu esposo, que é transplantado, e mesmo assim não vacinaram", traz outro relato.

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CaptionAplicação de vacina na Comunidade Tia Eva, neste sábado (15) | Leonardo de França | Midiamax

Procurada pela reportagem, a Sesau pontuou que, apesar da resolução, o município estabeleceu a ordem com base no quantitativo de doses enviadas pelo Ministério da Saúde, no caso, 3.411 doses do imunizante da Pfizer.

"Considerando que o Município recebeu pouco mais de 4 mil doses, não é possível abrir para todos. Conforme calendário estabelecido e divulgado ontem pela Prefeitura, somente estão sendo vacinadas as crianças de 05 a 11 anos com comorbidades, quilombolas e crianças de 11 anos nascidas de janeiro a abril sem comorbidades", confirmou a Sesau.

A nota, no entanto, destaca que "à medida em que novas doses forem recebidas, o Município deve abrir a vacinaçãopara outros públicos e faixa-etárias por ordem decrescente", pontua. Segundo a SES, a expectativa é que já na próxima semana.

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