Cotidiano

Sono na pandemia: dormir mais que o normal deve ser um sinal de alerta para a saúde

Médico traz dicas para manter a higiene do sono, evitar a insônia e sonolência excessiva

Ranziel Oliveira Publicado em 20/07/2021, às 14h12

Dormir por mais tempo de maneira rotineira pode indicar distúrbios de latência e baixa eficiência do sono
Dormir por mais tempo de maneira rotineira pode indicar distúrbios de latência e baixa eficiência do sono - ( Foto: Getty Images)

Os reflexos físicos e mentais da pandemia do coronavírus têm se tornado uma realidade cada vez mais frequente para uma parcela da população brasileira. Entre as consequências está a queda na qualidade do sono. Segundo o otorrinolaringologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, Ronaldo dos Reis Américo, é preciso atentar ao volume de sono, desmistificando a percepção de que dormir por mais horas significa eficiência do sono.

O especialista afirma que dormir por mais tempo de maneira rotineira pode indicar distúrbios de latência e baixa eficiência do sono. “Neste período pandêmico, pesquisas nacionais recentes mostram que os distúrbios de sono atingem até 50% da população do país. E, entre as mudanças, está o aumento do volume de horas de sono, sem que haja como reflexo a ampliação da qualidade deste ato”, conta Américo.

Dormir por mais horas já é uma rotina na vida de aproximadamente 26% dos brasileiros, como cita o artigo ‘Fatores associados ao comportamento da população durante o isolamento social na pandemia de COVID-19’. O otorrinolaringologista lembra que é preciso atenção a essa realidade, pois o sono tem papel fundamental na saúde. “É durante este momento do dia que regulamos a homeostase do corpo, liberamos grande carga de hormônios e consolidamos a memória”, enfatiza.

Além do maior volume de horas de sono, o cenário de tensão vem colaborando para mais insônia, sonolência excessiva diurna (SED), dificuldade de dormir e acordar em horários propostos e anormalidades comportamentais ligadas ao sono. De acordo com Américo, é importante dar atenção a esse hábito a fim de evitar que as alterações se tornem crônicas, com efeitos duradouros e tratamento mais difícil.

Para evitar essas consequências, o médico aconselha seguir medidas de higiene do sono e nunca fazer uso indiscriminado de medicamentos sem supervisão médica, uma vez que eles podem gerar efeitos colaterais significativos e interagir de forma negativa com outras substâncias.

Como pôr em prática a higiene do sono:

  • Opte por atividades mais calmas após o anoitecer;
  • Diminua, de forma progressiva, a luminosidade do ambiente;
  • Reduza o uso de aparelhos eletrônicos emissores de luminosidade como televisores e computadores;
  • Estabeleça uma rotina para o sono, com horário estabelecido para dormir e acordar.
Jornal Midiamax