Cotidiano

'Parece que vai arrancar o teto': voos baixos e acidente assustam quem mora perto do Aeroporto

Moradores da região revelam que acidente aéreo trouxe receio antigo à tona

Gabriel Neves Publicado em 14/09/2021, às 10h58

Moradores próximos ao Aeroporto Internacional de Campo Grande passaram a ficar mais atentos aos aviões
Moradores próximos ao Aeroporto Internacional de Campo Grande passaram a ficar mais atentos aos aviões - (Foto: Henrique Arakaki/Midiamax)

A queda de uma aeronave militar na tarde desta segunda-feira (14) despertou receio e insegurança em moradores que residem próximos à área do acidente, que ocorreu em uma fazenda no Indubrasil, em Campo Grande. O piloto da aeronave ficou ferido.

No local, os moradores admitem que os treinamentos aéreos, pousos e decolagens já se tornaram rotineiros, mas ainda causam insegurança. Bruna Oliveira, 28 anos, mora no bairro Santa Emília e confessa nunca ter pensado sobre o assunto até receber a notícia da queda.

“Moro aqui faz uns três meses e nunca pensei por esse lado, mas após a queda a gente fica com um pouco de receio”, confessa Bruna. O pensamento é compartilhado por Adaílton Rodrigues de Souza, 69 anos, que agradece pela queda ter ocorrido em uma área não habitada.

“Eu amarro minha rede embaixo do pé de manga, na hora que o avião caiu só agradeci por não ter sido no meu quintal”, confessa o aposentado. Adaílton revela que a apreensão, em grande parte, ocorre por conta dos treinamentos, “os helicópteros passam perto de casa, parece que vão arrancar o teto”.

Adaílton Rodrigues de Souza revela apreensão por morar no local.
(Foto: Henrique Arakaki/Midiamax)

Para ele, a possibilidade de um avião ou helicóptero cair em alguma residência é baixa, mas isso não impede que sua imaginação elabore os mais diferentes acidentes. “Aqui tem muita região de mato, então eu acredito que se ocorrer algum problema o piloto vai jogar o avião em algum pasto. Minha preocupação é se atingir um pé de manga antes”.

Poucas quadras à frente da casa de Adailton, a reportagem encontrou Bruna Paes de Ocando, 26 anos, esperando por um carro de aplicativo. A jovem brinca ao dizer não ter conhecimento do acidente, mas admite o calafrio durante treinamentos ocorridos próximos de sua casa. “Dá medo, eles passam muito baixo”, disse.

O acidente

A aeronave de caça A-29 Super Tucano apresentou falha técnica durante voo de treinamento, o que acabou resultando na queda do avião em uma fazenda nesta segunda-feira (13), em Campo Grande. O piloto conseguiu se ejetar ao perceber a falha técnica e direcionar a aeronave — ele foi socorrido.

Conforme a FAB (Força Aérea Brasileira), o piloto se ejetou já nas proximidades de Campo Grande, após detectar a falha técnica na aeronave de caça, durante um voo de treinamento. O avião, então, foi direcionado para uma região desabitada, onde colidiu com o solo.

Com a queda, a aeronave acabou pegando fogo e o incêndio atingiu aproximadamente 10 hectares da fazenda, sendo controlado pelo Corpo de Bombeiros e também por funcionários da propriedade rural. Ainda conforme a FAB, o piloto foi resgatado por um helicóptero H-60 Black Hawk do Esquadrão Pelicano e passa bem.

A ocorrência será investigada pelo Comando da Aeronáutica.

Jornal Midiamax