Cotidiano

Na maior reserva indígena de MS, 70% da população ainda não foi vacinada

Com quase 23 mil doses disponíveis há mais de 10 dias, até agora somente três mil indígenas foram vacinados na maior Reserva Federal de Mato Grosso do Sul, localizada em Dourados. Esse número, segundo dados do Dsei (Distrito Sanitário Indígena), responsável pela aplicação do imunizante nas aldeias, equivale a 30%. De acordo com informações divulgadas […]

Marcos Morandi Publicado em 28/01/2021, às 11h07 - Atualizado às 16h13

Moradores da Aldeia Jaguapiru, que faz parte da Reserva Indígena Federal. (Foto: Marcos Morandi)
Moradores da Aldeia Jaguapiru, que faz parte da Reserva Indígena Federal. (Foto: Marcos Morandi) - Moradores da Aldeia Jaguapiru, que faz parte da Reserva Indígena Federal. (Foto: Marcos Morandi)

Com quase 23 mil doses disponíveis há mais de 10 dias, até agora somente três mil indígenas foram vacinados na maior Reserva Federal de Mato Grosso do Sul, localizada em Dourados. Esse número, segundo dados do Dsei (Distrito Sanitário Indígena), responsável pela aplicação do imunizante nas aldeias, equivale a 30%.

De acordo com informações divulgadas pelo Dsei, a campanha de vacinação nas aldeias de Dourados está acontecendo todos os dias. Entretanto, além da resistência de alguns indígenas que se recusam a tomar o imunizante, principalmente pela disseminação de notícias falsas que circulam nas redes sociais, as chuvas intensas também são entraves para o trabalho do órgão.

Segundo o coronel Joe Saccenti Júnior, o Dsei tem se esforçado para cumprir a meta estabelecida de vacinar todos os indígenas de Dourados e também do Estado. Além dos pontos de vacinação divididos por áreas no território que compreende a Reserva Indígena, equipes volantes estão se deslocando até as residências de moradores possuem mais de 80 anos.

O estoque de 23 mil doses disponibilizado pela Secretaria Estadual de Saúde, com a segunda dose, é suficiente para imunizar 11.600 indígenas somente em Dourados. Nas aldeias Jaguapiru, Bororó e retomadas existentes no entorno da cidade, indígenas que possuem mais de 18 anos podem ser vacinados.

Dados  divulgados na última segunda-feira (25), mostram que 26% da população indígena em todo o estado já foi imunizada. A expectativa de conclusão da companha direcionada a este grupo prioritário é de até 30 dias.

Mobilização

Para ajudar no convencimento da importância da imunização, alguns moradores das aldeias estão se mobilizando e oferecendo a própria casa para ajudar os profissionais de saúde a cumprirem a meta estabelecida.

“Minha casa está de portas abertas. Se precisar nós estamos aqui para ajudar. Essa doença está acabando com o nosso povo. Aqui na nossa comunidade já perdemos muitas lideranças e estamos preocupados”, conta Esmeralda Ribeiro, moradora da Aldeia Bororó que abriu espaço na varanda da sua residência para ajudar na campanha.

Segundo estatísticas recentes, Mato Grosso do Sul lidera a lista de registro de mortes por coronavírus nas aldeias em todo país, com 82 óbitos e mais de quatro mil infectados. Para dar atendimento ao público considerado prioritário, o Dsei preparou um Plano de Operacionalização da Vacinação da Covid-19 estratégias para imunizar rapidamente os grupos prioritários.

“Realizar triagem rápida, preferencialmente no momento de identificação/cadastro do usuário, para identificar pessoas com sinais e sintomas de doença respiratória e síndrome gripais, as quais não deverão ser vacinadas. As mesmas devem ser redirecionadas para o atendimento em saúde”, diz um trecho do documento elaborado pelo Dsei.

O plano elaborado para a imunização da população indígena, também recomenda a disponibilização de locais higienização das mãos ou ofertar dispenser com álcool em gel na concentração de 70%, para facilitar a higienização das mãos dos profissionais e da pessoas a serem vacinadas.

“Considerando o cenário de recebimento completo das doses previstas para o grupo prioritário: indígenas a partir de 18 anos, a equipe de saúde local poderá adotar diferentes estratégias de vacinação em prol da cobertura vacinal, com prioridade aos trabalhadores de saúde”, orienta o documento que recomenda a organização da vacinação em quatro grupos diferentes.

Jornal Midiamax