Cotidiano

Enfermeira e técnico em enfermagem são punidas após erro que teria deixado paciente em coma

Caso aconteceu na UPA Moreninhas em 2016. Família pede mais de R$ 1 milhão de indenização do município.

Lucas Mamédio Publicado em 15/07/2021, às 16h04

UPA Moreninha.
UPA Moreninha. - (Foto: Henrique Arakaki/Jornal Midiamax)

Duas profissionais da prefeitura de Campo Grande, uma enfermeira e uma técnico em enfermagem, foram punidas pelo Conselho Regional de Enfermagem, o Coren-MS, por negligência no atendimento a um paciente no Unidade de Pronto Atendimento das Moreninhas em 2016.

Segundo publicação em diário oficial, a enfermeira Emmanuela Maria de Freitas Lopes foi punida com “Censura”, uma espécie de exposição pública do erro cometido pela profissional, bem como multa de duas anuidades ao Conselho. Já a técnica em enfermagem Maressa Martins de Oliveira, recebeu apenas uma “advertência verbal”.

A pessoa que alega ter sido prejudicada no caso em que as duas estão envolvidas é o servidor público estadual, hoje com 32 anos. Na época, a demora pelo diagnóstico de meningite teria causado reflexos permanentes em sua saúde, como a aquisição de um tipo grave de epilepsia.

A defesa de servidor ainda pede indenização no valor R$ 1.194.496,00 do município de Campo Grande, que tramita em segunda instância, segundo que a família perdeu em primeira instância.

Caso de 2016

A vítima foi até a Unidade de Pronto Atendimento, a UPA, no bairro Moreninhas reclamando de febre, dor na cabeça e pescoço. Na ocasião, os médicos diagnosticaram com amidalite.

Contudo, horas depois, o paciente retornou à unidade, com febre de 38ºC, dores de cabeça, garganta, articulações, olhos, dor epigástrica e ocorrência de regurgitação de suco gástrico para dentro do esôfago e ainda sim os médicos permaneceram com a mesma medicação e mandaram o paciente para casa. 

No dia seguinte, durante a madrugada, o servidor passou mal novamente, foi medicado com mais doses de benzetacil, porém não melhorou. Segundo informa, ele retornou à UPA mais três vezes, sendo liberado sem sequer um pedido de exame para constatar a doença, sempre com o quadro clínico mais agravado.

Na última vez em que o servidor foi à unidade de atendimento, acabou parando na delegacia para registrar boletim de ocorrência pela demora e o descaso do atendimento, momento em que caiu e começou a ter convulsões.

A vítima então foi encaminhado à mesma unidade sendo posteriormente transferido para a Santa Casa e depois para o Hospital Cassems, onde foi definitivamente diagnosticado com meningite, estando submetido por um coma de 21 dias.

Jornal Midiamax