Cotidiano

Elisangela busca esperança no semáforo para fugir da fome e ajudar filho com paralisia

Desempregada e também doente, Elisangela está vendendo balas na rua para poder dar dignidade ao filho com paralisia cerebral

Lucas Mamédio e Ranziel Oliveira Publicado em 27/07/2021, às 14h22

Elisangela por entre os carros vendendo doces
Elisangela por entre os carros vendendo doces - (Foto: Leonardo França)

Um olhar que passa de carro em carro procurando alguém que a corresponda. Da boca de Elisangela de Oliveira Braga, de 40 anos, não sai uma palavra, está tudo escrito no cartaz que carrega.

“Compre um doce e ajude, pois preciso de leite, alimento e uma cadeira de rodas”, diz o cartaz com a foto do filho Wildiney.

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Elisangela conta que precisa de qualquer ajuda, não apenas comida (Foto: Leonardo França)

Uildiney tem 14 anos e nasceu com paralisia cerebral. Ao longo da infância, por conta doença, suas pernas atrofiaram até ele não conseguir mais andar. Aos 12 anos, chegou a fazer uma cirurgia para tentar devolver sua mobilidade, mas, sem conseguir fisioterapia, a medida foi em vão.

Desempregada, assim como o marido, diabética e hipertensa, Elisangela se viu com uma única saída: comprar balas e revendê-las no semáforo. Na tarde desta terça-feira (27), ela estava na esquina da Rua Bahia com a Afonso Pena.

“Vendo essas balas para poder colocar alimento em casa”, diz Elisangela, que teve tanto o benefício do bolsa família quanto do auxílio emergencial suspensos.

O filho só tem piorado desde a cirurgia, principalmente por conta de seu tamanho. Morando em uma casa de aluguel, no Santa Emília, as refeições acontecem conforme a família consegue.

“Tem dia que tem (comida), tem dia que não tem. Não preciso só de dinheiro, preciso de leite, qualquer alimento, além de cobertor, já que meu filho cresceu”, lamenta Elisangela.

Coincidentemente, enquanto nossa equipe estava com Elisangela, um homem, chamado João Bezerra, parou seu carro e desceu com uma cesta básica. “Minha empresa fez uma campanha de arrecadação de alimento e sobraram algumas cestas. Pensei: 'vai entregar onde seu coração sentir' e passando por aqui vi essa senhora”, explicou João.  

Quem quiser ajudar Elisangela e sua família o contato é: 67 99183-2862.

(Matéria alterada às 19:57 para acréscimo de informação)

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