Cotidiano

Com coronavírus em foco, campo-grandenses esquecem outras vacinas e atrasam caderneta

Sesau planeja campanha de multivacinação para atualizar caderneta de crianças e adolescentes

Mylena Rocha Publicado em 11/09/2021, às 08h38 - Atualizado às 08h39

Campanha de vacinação contra a gripe ficou com cobertura abaixo do recomendado na Capital.
Campanha de vacinação contra a gripe ficou com cobertura abaixo do recomendado na Capital. - Henrique Arakaki/Midiamax

Não há como negar que desde o início da pandemia, o coronavírus se tornou o foco de preocupação da maioria das pessoas no país. Com medo de pegar a forma grave da doença ou até da morte, os campo-grandenses esperaram ansiosos pela vacina e não decepcionaram: mais da metade da população já está imunizada. Contudo, não podemos esquecer que há outras doenças que merecem atenção. 

A campanha de vacinação contra a gripe começou em abril e durou pouco mais de quatro meses em Campo Grande. Mesmo com tanto tempo com os imunizantes disponíveis nos postos, muita gente se esqueceu ou simplesmente relevou o fato de que a gripe também pode matar. 

A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) explica que, ao todo, foram aplicadas 199.922 doses da vacina contra Influenza somente no público prioritário da campanha, o que totaliza 79,94% desta população. É importante lembrar que a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é de 90% de vacinados. 

A secretaria aponta que, dentro dos grupos alvos, apenas dois conseguiram atingir a cobertura recomendada: as crianças de seis meses a menores de seis anos de idade, com 96,8% do público vacinado, e os idosos, que tiveram 101,73% de cobertura. Outros grupos, que geralmente costumam ultrapassar a meta, não tiveram tanta adesão: os trabalhadores da saúde (88,29%) e os da educação (65,47%). 

Campanha para crianças e adolescentes

De olho nas doenças e vacinas que acabaram ‘esquecidas’ pela população, a Sesau já planeja uma campanha para atualizar as cadernetas. Desta vez, o foco será nas crianças e adolescentes. 

“Há ainda previsão para início da campanha multivacinação até o final do mês, que será feita para a atualização da caderneta de vacinação de crianças e adolescentes e está incluída a vacina tríplice viral e demais vacinas do calendário infantil”. 

Atualize a caderneta de vacinação

A vacina da tríplice viral é uma das mais importantes no calendário infantil e não pode ser esquecida pelos pais. A vacina tríplice viral contém vírus atenuados de caxumba, sarampo e rubéola e é aplicada em bebês de até 1 ano. É opcional o reforço para crianças de até 4 anos e outro reforço para adultos a partir de 20 anos.

A cobertura da vacina tem caído nos últimos anos e, desde 2019, o Brasil perdeu o registro de erradicação do sarampo. Isso mostra o quanto é importante manter a vacinação em dia, já que doenças antes erradicadas têm voltado a circular no país. 

O Ministério da Saúde informa que o Calendário Nacional de Vacinação contempla não só as crianças, mas também adolescentes, adultos, idosos, gestantes e povos indígenas. Ao todo, são disponibilizadas 19 vacinas para mais de 20 doenças, cuja proteção inicia ainda nos recém-nascidos, podendo se estender por toda a vida. “Toda a população pode se vacinar gratuitamente nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) de todo o país. Para isso, basta comparecer a um posto de saúde com o cartão de vacinação em mãos”.

Para quem perdeu o cartão de vacinação, a orientação do Ministério da Saúde é procurar o posto de saúde onde recebeu as vacinas para resgatar o histórico de vacinação e fazer a segunda via. A ausência da Caderneta de Vacinação não é um impeditivo para vacinar. Toda pessoa pode ser vacinada nos postos de saúde, onde recebe um registro de controle da vacinação (cartão), podendo atualizar mais tarde a Caderneta.

Dengue não tem vacina, mas prevenção é simples

Outra doença que preocupa os lares dos campo-grandenses é a dengue. Desde o início do ano, Campo Grande registrou 435 casos prováveis de dengue e duas mortes de pacientes idosos. A Capital tem uma baixa incidência de casos, segundo boletim epidemiológico da SES (Secretaria de Estado de Saúde), mas a população não pode descuidar.

Com a chegada da época de chuvas, é preciso ficar atento aos criadouros do mosquito Aedes aegypti. Confira as medidas que podem ser tomadas para evitar o mosquito, que também transmite a zika e chikungunya: 

  • Manter bem tampado tonéis, caixas e barris de água;
  • Lavar semanalmente com água e sabão tanques utilizados para armazenar água;
  • Manter caixas d’água bem fechadas;
  • Remover galhos e folhas de calhas;
  • Não deixar água acumulada sobre a laje;
  • Encher pratinhos de vasos com areia até a borda ou lavá-los uma vez por semana;
  • Trocar água dos vasos e plantas aquáticas uma vez por semana;
  • Colocar lixos em sacos plásticos em lixeiras fechadas;
  • Fechar bem os sacos de lixo e não deixar ao alcance de animais;
  • Manter garrafas de vidro e latinhas de boca para baixo;
  • Acondicionar pneus em locais cobertos;
  • Fazer sempre manutenção de piscinas;
  • Tampar ralos;
  • Colocar areia nos cacos de vidro de muros ou cimento;
  • Não deixar água acumulada em folhas secas e tampinhas de garrafas;
  • Vasos sanitários externos devem ser tampados e verificados semanalmente;
  • Limpar sempre a bandeja do ar-condicionado;
  • Lonas para cobrir materiais de construção devem estar sempre bem esticadas para não acumular água;
  • Catar sacos plásticos e lixo do quintal.
Jornal Midiamax