Cotidiano

Com avanço da pandemia, campo-grandenses ficam mais de 4h na fila para não perder vacina contra Covid

Com medo de perder dose, carros formam fila no Albano Franco de quase 1,5 km

Dândara Genelhú e Leonardo de França Publicado em 10/06/2021, às 14h13

Aumento de casos e mortes deixa cidadãos com medo de perder dose da vacina.
Aumento de casos e mortes deixa cidadãos com medo de perder dose da vacina. - Foto: Leonardo de França | Midiamax

Nesta quinta-feira (10), campo-grandenses formaram fila desde antes das 9h no Albano Franco para não perder a vacina contra Covid-19. No entanto, o ponto iniciava a vacinação apenas às 13h. A espera de mais de 4h é por causa do medo de não conseguir dose do imunizante, já que Campo Grande passa por momento crítico da pandemia e avanço da doença.

Assim, com 1,4 km de fila até às 12h50, horário em que nossa reportagem deixou o local, os carros já estavam na rua Jamil Felix Naglis. O empresário Edinelson Guerra, 50 anos, disse que chegou pouco antes das 9h na fila. “Estou bem apreensivo, mas para mim é o que vai resolver o problema”, disse sobre a aplicação em si. 

No entanto, ele acredita que a vacina é a solução para minimizar as mudanças causadas pela pandemia. “Eu já tive Covid-19 e não foi nada grave, mas eu e minha família já fomos afetados”, lamentou.

Já o trabalhador da construção civil Celso Barros, 46 anos, disse que estava na fila desde às 10h. Ele afirmou que “todo mundo foi, não tem condições de alguém não ter sido afetado [pela pandemia]. Tanto na parte financeira, quanto psicológica mesmo”. A espera é uma alternativa para ter mais tranquilidade com uma dose já aplicada.

O vendedor Fernando Dias Daniel, 33 anos, disse que não se importa com o tamanho da fila, desde que consiga ser vacinado. “Estamos dispostos a ficar aqui, até porque a expectativa é grande por causa da situação que estamos aí”.

Para ele, a imunização é a única forma de controlar a Covid-19. “Não que quando a gente vacina a gente está livre, mas a gente sente que está no caminho certo. A única saída é essa, conseguir a vacinação em massa”, disse.

O turismólogo e motorista de aplicativo, Adalto de Freitas, 53 anos, estava há mais de 2h40 na fila e se preocupa com a família. Sobre a ansiedade para a dose, ele diz que “é grande e quando você trabalha na rua, tem contato com muita gente, e a transmissão depois da vacina é menor. Então se eu estiver imunizado, vou ter as precauções que já tenho, mas vou ter mais alívio”.

A professor Maria Cristina Gama, 62 anos, já estava na fila por 2h para tomar a segunda dose da Astrazeneca. A vacinação para ela “é importante para que a gente possa retornar a nossa vida normal e parar com essa pandemia e poder conviver novamente com as pessoas”.

Jornal Midiamax