Cotidiano

Com 2ª maior população indígena do país, apenas uma cidade de MS bate meta de imunização em aldeias

Em Mato Grosso do Sul, apenas um município bateu a meta de vacinação contra Covid-19 em indígenas que vivem em aldeias.

Dândara Genelhú Publicado em 09/02/2021, às 07h38 - Atualizado às 09h45

Aldeia Jaguapiru. (Foto: Divulgação).
Aldeia Jaguapiru. (Foto: Divulgação). - Aldeia Jaguapiru. (Foto: Divulgação).

Desde a primeira semana de campanha em Mato Grosso do Sul, apenas um município bateu a meta de vacinação contra Covid-19 em indígenas que vivem em aldeias. Assim, outros 27 já iniciaram a imunização, porém não atingiram todo o público-alvo em três semanas.

São 28.217 indígenas que vivem em aldeias vacinados em MS. De acordo com os microdados da SES (Secretaria de Estado de Saúde), Bela Vista é o município que atingiu a meta de vacinação.

Na cidade a 324 de Campo Grande, 192 doses já foram aplicadas. Ainda que tenha vacinado 100% da meta, ainda existem 21 indígenas não imunizados em Bela Vista e exatamente o mesmo número de doses disponíveis.

Todos os municípios receberam doses equivalentes à quantidade de indígenas que vivem em aldeias. Por exemplo, a cidade que mais possui este grupo prioritário é Dourados, com 11.600 de população estimada. Assim, foram enviadas 11,6 mil doses da Coronavac. No entanto, apenas 10.440 pessoas foram consideradas como meta da vacinação.

Por fim, sete municípios iniciaram a aplicação da segunda dose da Coronavac. Então, 1.648 indígenas já receberam o reforço do imunizante. Eles são de aldeias de Miranda, Amambai, Paranhos, Coronel Sapucaia, Dois Irmãos do Buriti, Sidrolândia e Nioaque.

Vacina para todos os indígenas

Apesar de integrarem o grupo de pessoas que já estão sendo vacinadas contra o coronavírus, a totalidade de indígenas não foi abraçada. Assim, em vista do cenário crítico da pandemia nesta comunidade, a Justiça determinou que moradores de aldeias urbanas sejam incluídas na vacinação em MS.

A recomendação 01/2021 do MPF (Ministério Público Federal) determina que a União cadastre todos os indígenas localizados em áreas urbanas, ou em contextos urbanos, no Estado. Assim, o processo deverá ser feito por meio da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) e o Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena) de MS.

Indígenas que não vivem em aldeias ou territórios indígenas também devem ser cadastrados. O processo deverá possibilitar a vacinação deste grupo prioritário em totalidade. Para o presidente do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), Dom Roque Paloschi, a situação vai além do descaso público.

“O critério adotado demonstra racismo institucional, uma vez que define como indígenas apenas povos que vivem em aldeias de terras indígenas homologadas, ignorando os povos que vivem em contexto urbano que, segundo dados do Censo IBGE, de 2010, são cerca de 46% da população indígena no Brasil”, disse. Assim, a relação de vacinados e doses recebidas deverá ser divulgada até às 22h de cada dia.

Jornal Midiamax