Água turva e peixes mortos: inquérito investiga poluição de córrego por indústria de alimentos

Fiscais ambientais constataram água esverdeada, com odor desagradável e espuma
| 30/08/2021
- 13:52
Recorte do relatório apresentando pelo Imam
Recorte do relatório apresentando pelo Imam, em Dourados - Reprodução

O MPMS (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul) instaurou inquérito civil para apurar a origem da poluição no córrego Laranja Azeda, em Dourados, a 225 quilômetros de Campo Grande. A suspeita é de que a água tenha sido contaminada pelo despejo irregular de efluentes da Seara, empresa do grupo JBS instalada na região.

Conforme edital divulgado pelo promotor Amílcar Carneiro Júnior, da 11ª Promotoria de Justiça da Comarca, a investigação é fruto de uma notícia de fato encaminhada pelo Imam (Instituto de de Dourados), após vistoria realizada no córrego. O trabalho dos fiscais ocorreu em junho de 2020, em dois pontos do córrego na linha do Barreirinho.

Nas visitas, os técnicos se depararam com água de coloração verde-escura, turbidez considerável e odor desagradável. Além das características alteradas, foi constatado que não havia peixes ou outros organismos vivos. O proprietário de uma chácara por onde passa o córrego acompanhou a fiscalização e disse estar preocupado.

O morador afirmou que a água sempre foi limpa e que, inclusive, pescava por ali para alimentar a família. No entanto, nos últimos meses à época da vistoria, vinha notando peixes mortos boiando, bem como cheiro desagradável no local. Garantiu ainda que as águas começaram a ficar escuras há aproximadamente oito meses.

No relatório, o Imam aponta que, nas proximidades do local, foram instaladas tubulações para despejo dos efluentes oriundos da estação de tratamento da Seara. Explicou ainda que tais efluentes podem conter vários materiais contaminantes, mas que se o ponto de despejo for de alta vazão, tais materiais acabam se diluindo.

Por outro lado, se o local de vazão for pequeno, como no córrego, podem ocorrer prejuízos ambientais, uma vez que o processo de decomposição dos resíduos consome o oxigênio da água. O Imam relatou ainda que a empresa pode realizar o despejo, desde que atenda a uma série de exigências ambientais, no entanto, neste caso parece haver irregularidades.

Questionada pela reportagem, a JBS disse que não foi notificada e irá prestar as informações necessárias no momento oportuno.

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