Cotidiano

Abuso sexual é um dos fatores que levam crianças à depressão em Campo Grande, alerta campanha

No centro da Capital, projeto entrega folders e faz conscientização sobre como identificar sinais de depressão nos filhos

Mylena Rocha e Gabriel Neves Publicado em 10/09/2021, às 10h49

Servidores entregam folders e alertam sobre cuidados com a depressão.
Servidores entregam folders e alertam sobre cuidados com a depressão. - Henrique Arakaki/Midiamax

O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio é celebrado nesta sexta-feira (10) e, para ajudar na conscientização, o projeto ‘Valorização da Vida’ realiza uma ação no centro de Campo Grande. Os servidores entregam folhetos com orientações e sinais que podem indicar que uma pessoa está com depressão. A doença não acomete somente os adultos, um dos principais fatores que levam à depressão entre crianças e adolescentes é o abuso sexual, que aumentou durante a pandemia. 

A coordenadora do projeto, Alelis Izabel Gomes, explica que diversas ações estão planejadas para o Setembro Amarelo, como forma de conscientizar para o problema. “Muitos acham que depressão é frescura, mas é uma doença. É preciso buscar ajuda”. 

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Alelis Izabel Gomes é coordenadora do projeto. (Foto: Henrique Arakaki)

O projeto é ligado à Semed (Secretaria Municipal de Educação) e há mais de 18 psicólogos que atuam principalmente no atendimento de alunos e professores da rede municipal. Desde 2018, foram mais de 16 mil atendimentos. Gomes explica que, mesmo ligado à Reme (Rede Municipal de Ensino), o projeto atende as pessoas da sociedade em geral. 

Durante a campanha, a coordenadora do projeto ‘Valorização da Vida’ explicou que um dos principais fatores que levam à depressão entre crianças e adolescentes é o abuso sexual. Na escola, as crianças acabam encontrando refúgio, quando relatam os traumas vividos em casa. 

“Sempre ocorreu e a escola é onde as crianças acabam falando, mas aumentou com a pandemia. Desde que retomamos as aulas, no dia 26 de julho até semana passada, foram 20 casos relatados e confirmados de abuso sexual”, diz Alelis. 

A servidora cita um caso triste e marcante para os profissionais das escolas. Uma criança de oito anos entregou um bilhete para a professora com pedido de socorro. No bilhete, o aluno pedia ajuda e denunciava o pai pelo abuso. 

'A primeira coisa é aceitar', diz pai que perdeu filho para a depressão

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Luis perdeu o filho para a doença e diz que é preciso procurar ajuda. (Foto: Henrique Arakaki)

Na esquina entre a rua 14 de Julho e a avenida Afonso Pena, servidores do projeto ‘Valorização da Vida’ entregam folders com orientações sobre como identificar sinais da depressão. Os servidores estão todos vestidos de amarelo e exibem faixa sobre a campanha quando o semáforo fecha. 

Enquanto os servidores faziam a campanha, Luis Ribas, de 64 anos, parou para conversar com a reportagem do Midiamax. Luis é pai de um rapaz que cometeu suicídio aos 29 anos em um hotel de Campo Grande, um caso de grande repercussão na imprensa. 

Luis reforça que é preciso ficar atento aos sinais da depressão e procurar ajuda profissional assim que possível. “Esta é uma ação muito importante. Não só no setembro amarelo, precisamos ensinar sobre como falar deste assunto com nossos filhos. O meu conselho a todos os pais é: não tente esconder. Converse, explique que é uma doença. A primeira coisa é aceitar, a pessoa fica ainda mais doente quando se esconde”.

Procure ajuda

Em Mato Grosso do Sul, o Grupo Amor Vida (GAV) é um dos que prestam serviço gratuito de apoio emocional a pessoas em crise através dos telefones (67) 3383-4112, (67) 99266-6560 (Claro) e (67) 99973-8682 (Vivo), todos sem identificador de chamadas. "Nossa missão é prevenir o suicídio mediante o apoio emocional à pessoa em crise. Você poderá falar sobre seus sentimentos sem expor sua identidade", afirma o Grupo.

O horário de funcionamento, segundo o site do GAV, é das 7h às 23h, inclusive sábados, domingos e feriados.

Jornal Midiamax