Cotidiano

Paraguaios fogem da pandemia no Brasil e acabam “morando” sobre a Ponte da Amizade

Diariamente cerca de 200 paraguaios ocupam a Ponte Internacional da Amizade, entre Foz do Iguaçu e Ciudad Del Lest.  Eles  deixam São Paulo e engrossam a fila dos chamados “Refugiados Sanitários” uma nova categoria que surgiu com a crise do coronavírus e acabam “morando” no local à espera de permissão para voltarem para casa. Mesmo […]

Marcos Morandi Publicado em 24/04/2020, às 08h55

Brasileiros fornecem marmitas aos paraguaios que estão na ponte, (Foto:Divulgação)
Brasileiros fornecem marmitas aos paraguaios que estão na ponte, (Foto:Divulgação) - Brasileiros fornecem marmitas aos paraguaios que estão na ponte, (Foto:Divulgação)

Diariamente cerca de 200 paraguaios ocupam a Ponte Internacional da Amizade, entre Foz do Iguaçu e Ciudad Del Lest.  Eles  deixam São Paulo e engrossam a fila dos chamados “Refugiados Sanitários” uma nova categoria que surgiu com a crise do coronavírus e acabam “morando” no local à espera de permissão para voltarem para casa.

Mesmo com as repetidas orientações contrárias da Organização Mundial da Saúde (OMS), os paraguaios passam várias horas e até mesmo dias aglomerados na ponte, até que conseguem sinal verde para retornar a sua terra natal, com a esperança de receberem ajuda de parentes e amigos. A autorização depende, segundo o ABC Color, do Conselho de Defesa Nacional.

As informações que circulam na imprensa local, é que nos departamentos (estados) próximos da fronteira com o Brasil, a rejeição tanto a brasileiros quanto a paraguaios é a cada dia mais crescente.

A situação está até gerando desconforto diplomático, uma vez que foram realizadas manifestações e divulgados comunicados de associações civis repudiando a instalação de refúgios para os paraguaios que chegam do Brasil.

O Paraguai, que teve até agora 208 contágios e oito óbitos, decretou quarentena total em meados de março e, por demanda da sociedade, a medida continua vigente. O controle é tão rigoroso que afeta até mesmo os paraguaios que decidem retornar por terra, caminhando. Eles são, de fato, os mais castigados por uma situação que mistura questões sanitárias, políticas e até mesmo condutas discriminatórias.

“Existe um ambiente de certa psicose, diria até mesmo pânico, em relação a pessoas que estavam no Brasil. Tiveram de enviar autoridades de Assunção para convencer os moradores a aceitarem os refúgios”, comenta a jornalista Tereza Freytes.

Se por um lado há discriminação, há também solidariedade por parte de brasileiros. Vários grupos de voluntários estão mobilizados levando alimentos para famílias pobres em toda a cidade.

Um desses grupos foi formado por iniciativa dos responsáveis por um hotel de Foz do Iguaçu. Eles se mobilizaram, estão arrecadando alimentos e produzindo marmitas que são distribuídas em vários locais.

Jornal Midiamax