Esgotamento na pandemia afasta 13 profissionais da saúde por mês da Santa Casa

Desde o início da pandemia, profissionais da saúde estão atuando na linha de frente de combate ao coronavírus. A Santa Casa de Campo Grande está servindo de ‘suporte’ para outros tratamentos, com isso, o setor de ortopedia, por exemplo, registrou superlotação recentemente. Segundo a unidade, por esgotamento físico ou psicológico, 135 pedidos de licenças foram […]
| 17/12/2020
- 12:32
Esgotamento na pandemia afasta 13 profissionais da saúde por mês da Santa Casa
Lotação nos corredores do hospital. (Foto: Henrique Arakaki) - Lotação nos corredores do hospital. (Foto: Henrique Arakaki)

Desde o início da pandemia, profissionais da saúde estão atuando na linha de frente de combate ao coronavírus. A Santa Casa de Campo Grande está servindo de ‘suporte’ para outros tratamentos, com isso, o setor de ortopedia, por exemplo, registrou superlotação recentemente. Segundo a unidade, por esgotamento físico ou psicológico, 135 pedidos de licenças foram solicitados desde o início da pandemia, média de 13 por mês.

Contando pelo primeiro caso de vírus na Capital, os servidores já completam dez meses de trabalho tratando pacientes. O maior hospital do Estado, passou a receber todos os serviços de ambulatório e pronto socorro. Com aumento na demanda, a unidade já registrava falta de insumos, atraso de salários e lotação nos setores.

Conforme o hospital, até o momento, foram pedidos 135 licenças médicas, em média, 13 afastamentos por mês, e muitos dos profissionais são da área da assistência. A Santa Casa ressaltou que a unidade possui serviços de psicologia para os trabalhadores, através do Sesmt (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho).

“Os atendimentos são feitos remotamente e/ou presencialmente a depender da situação. Mas informamos ainda, que muitos destes profissionais já retornaram aptos aos trabalhos”, explica em nota.

O presidente do Sintesaúde – MS (Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Mato Grosso do Sul), Osmar Gussi, conta que além de quem atua diretamente no tratamento de pacientes, estão outros funcionários que também sofrem pressão e podem se contaminar a qualquer momento.

“Nós temos o segurança que está na entrada, temos as recepcionistas, e principalmente as pessoas da limpeza, que limpam todos os setores dos hospitais, ou seja, o perigo e o medo da doença se expande para todos os lados. Todos esses profissionais temem levar a doença para casa, isso sobrecarrega todos”, relata.

20% dos enfermeiros afastados

O presidente do Sinte-PMCG (Sindicato dos Trabalhadores Públicos em de Campo Grande), Ângelo Macedo disse que constantemente a entidade recebe reclamações por exaustão no trabalho.

“O esgotamento físico e psicológico é evidente e latente. Os hospitais, sejam eles públicos e ou privados, não acredito terem capacidade de atender a demanda caso as previsões se confirmem, infelizmente. Temos desde o início da pandemia, em torno de 20% do efetivo se afastando e desfalcando o front de batalha, a maioria se restabelece e volta à ativa!”

Outras unidades

De acordo com o boletim de status de ocupação da Unimed, de terça-feira (15), todos os leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) Covid-19, estavam ocupados, sendo 30 pacientes internados em leitos de UTI, e 6 em leitos gerais. A unidade informou que, para preservar a integridade dos profissionais, não repassam dados sobre afastamentos por cansaço mental e físico durante a pandemia.

A reportagem entrou em contato com a unidade referência no tratamento da Covid-19, HRMS ( de Mato Grosso do Sul), mas não obteve retorno até a publicação deste material.

Profissionais do HRMS relataram que cada servidor já chegou atender cerca de 20 pacientes em plantões de 12 horas. Trabalhando no tratamento infantil, uma profissional da área, explica que nos últimos dias deram entrada quase o dobro de crianças com a doença, em muitos casos, mães acabam tendo o filho prematuro em decorrência do vírus.

Ainda segundo a servidora, a situação se agrava pelo aumento da demanda. “Não há lugar mais para colocar pacientes. Salas e locais que não eram leitos, como endoscopia, viraram UTI. Os pacientes que saem da UTI, que vão para as enfermarias não conseguem ter o acompanhamento adequado, pois os profissionais estão deslocados para as áreas críticas, como UTI e Pronto Socorro.

Exigidos ao máximo

Com a rotina intensa, os especialistas precisam centralizar as forças para ‘não errar’. Responsável pelos medicamentos, ela conta que devido à demanda, são vários prontuários para cuidar e, por vezes, em equipes reduzidas. Alguns internados por muito tempo, se não melhoraram, acabam contraindo bactérias hospitalares.

“Os pacientes com Covid precisam de cuidados específicos, o sistema acaba ficando fragilizado, se não vem a óbito pelo coronavírus, pode morrer de infecção hospitalar”, conta.

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