Cotidiano

Com jornada de 15 horas e sem parar, entregador adapta álcool em gel na moto

O casal Willian Benites e Bárbara Riquelme chegou à pandemia de coronavírus em um momento delicado. Ele havia perdido o emprego recentemente e começou a trabalhar como entregador, tendo em casa, além da filha de 6 anos, gêmeos que chegaram aos 48 dias hoje. Ela, com o marido, trabalhava em um negócio de festas e […]

Humberto Marques Publicado em 22/03/2020, às 12h38 - Atualizado em 23/03/2020, às 09h08

Moto de Willian, com dispenser de álcool em gel adaptado: higienização no trabalho. (Foto: Reprodução)
Moto de Willian, com dispenser de álcool em gel adaptado: higienização no trabalho. (Foto: Reprodução) - Moto de Willian, com dispenser de álcool em gel adaptado: higienização no trabalho. (Foto: Reprodução)

O casal Willian Benites e Bárbara Riquelme chegou à pandemia de coronavírus em um momento delicado. Ele havia perdido o emprego recentemente e começou a trabalhar como entregador, tendo em casa, além da filha de 6 anos, gêmeos que chegaram aos 48 dias hoje. Ela, com o marido, trabalhava em um negócio de festas e eventos que, com os decretos fechando o comércio e determinado toque de recolher, está inviabilizado neste momento.

Restou a Willian, com empréstimo vindo da avó da mulher, comprar uma moto e se dedicar às entregas –tanto em uma lanchonete da cidade como em aplicativo. “Ele sai de casa às 9h e volta geralmente 0h30, 1h30. É bem corrido, com muita entrega e ele nem tem tempo de almoçar, às vezes”, contou Bárbara ao Jornal Midiamax que, em meio à rotina da família e os perigos da Covid-19, pediu para o companheiro também não se descuidar.

A saída, meio que no improviso, foi apresentada por Bárbara nas redes sociais. “Não tem como ele, entre uma entrega e outra, lavar sempre as mãos com água e sabão. Então, peguei um vidro e prendi na moto, ele pega o álcool em gel no serviço, que cede para os funcionários já que a gente não consegue encontrar para comprar, usa sempre luva e vai trabalhar”, explicou ela à reportagem.

“Quem não tem cão, caça com gato”, ilustrou Bárbara, deixando claro que o momento mistura precaução e necessidade. “É a única coisa que segura as pontas. Mesmo com o vírus, não tem como ele ficar sem trabalhar”, prosseguiu. Um arroz carreteiro que a família organizava para hoje para levantar dinheiro e ajudar com as despesas com os gêmeos foi cancelado por conta das orientações da prefeitura.

“A gente ia fazer o carreteiro para comprar a moto, mas conseguimos o empréstimo par ele voltar a trabalhar”, prosseguiu. A iniciativa foi substituída por uma vaquinha online. A indumentária inclui máscara –ela afirma que pretende adquirir também máscaras de algodão, laváveis–, as luvas e o álcool em gel. “Quando ele chega em casa, a primeira coisa que faz é tirar a roupa ainda no quintal, tomar banho, passar álcool em gel e só aí vai com as crianças”, complementou.

Autoridades de saúde recomendam manter distância das pessoas e a higienização com álcool em gel ou sabão e água. Em caso de sintomas de gripe, deve-se manter em quarentena e procurar as autoridades de saúde –as últimas normativas pedem que a família se mantenha isolada nessas condições por um intervalo de 14 dias.

Jornal Midiamax