Cotidiano

Campo Grande atinge a menor taxa de transmissão do coronavírus desde maio

Estudos já previam que a situação do coronavírus em Campo Grande estava próximo a estabilizar e dados apontam que a Capital chegou à menor taxa de transmissão em três meses. Em Campo Grande, a taxa de transmissão de Covid-19 varia de 1,1 a 1,2, de acordo com informações da plataforma Farol Covid. Esta é a […]

Mylena Rocha Publicado em 27/08/2020, às 13h44 - Atualizado em 28/08/2020, às 09h21

 (Foto: Leonardo de França)
(Foto: Leonardo de França) - (Foto: Leonardo de França)

Estudos já previam que a situação do coronavírus em Campo Grande estava próximo a estabilizare dados apontam que a Capital chegou à menor taxa de transmissão em três meses. Em Campo Grande, a taxa de transmissão de Covid-19 varia de 1,1 a 1,2, de acordo com informações da plataforma Farol Covid. Esta é a menor taxa registrada nos gráficos desde maio, apesar da Capital do Mato Grosso do Sul registrar uma ocupação de 80% das UTIs (Unidades de Terapia Intensiva).

Campo Grande atinge a menor taxa de transmissão do coronavírus desde maio
O ritmo de contágio, conhecido como número de reprodução efetivo (Rt), traduz a dinâmica de disseminação do Covid-19 a cada dia. (Fonte: Farol Covid)

A taxa de transmissão é importante para revelar para quantas pessoas um paciente infectado transmite o vírus. No caso de Campo Grande, cada 100 pacientes infectados podem contaminar de 110 a 120 pessoas. Dados do Farol Covid ainda apontam que a taxa de transmissão na Capital tem tendência a estabilizar. 

O número efetivo de reprodução da infecção, conhecido como Rt, é uma das ferramentas que pode ser utilizada pelas autoridades para planejar medidas de isolamento ou de flexibilização. Quando a taxa de transmissão é igual a 1, cada doente infecta apenas uma outra pessoa.  Para que a epidemia seja considerada controlada, a taxa de transmissão precisa estar abaixo de 1. Muitos países esperaram esse índice para afrouxar as medidas de isolamento. 

Epidemiologistas recomendam que medidas de flexibilização do isolamento social só deveriam ocorrer com o índice de transmissão abaixo de 0,8 ou 0,7, por exemplo. Porém, no Brasil, muitas cidades autorizaram a retomada do comércio mesmo com os casos e óbitos ainda em alta. 

Dados do site Covid Analytics apontam que Mato Grosso do Sul é o terceiro do país em taxa de transmissão, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro e Tocantins. Em MS, a taxa de transmissão é de 1,09. Quer dizer que cada 100 pessoas contaminadas transmitem o vírus para outras 109 pessoas. Entretanto, apesar de estar entre as maiores taxas, MS não está longe da estabilização. Para que a epidemia seja considerada controlada, a taxa de transmissão precisa estar abaixo de 1. 

Campo Grande atinge a menor taxa de transmissão do coronavírus desde maio
Mapa mostra redução na média de mortes da Capital.

Em entrevista concedida à agências na quarta-feira (26), o infectologista Júlio Croda, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) disse que o Brasil já passou pelo pior momento da pandemia. Dados do Portal da Transparência do Registro Civil corroboram com a afirmação e mostram uma redução no número de mortes tanto em Campo Grande como em Mato Grosso do Sul. 

No dia 24 de agosto, Campo Grande registrou uma média móvel de quatro mortes, a menor do mês de agosto. Para o infectologista Júlio Croda, apesar da queda, a pandemia ainda pode custar muitas vidas. “Ainda teremos muitos que adoecerão pela Covid-19”, disse.

Achatamento da curva na Capital

O estudo realizado por professores da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) mostrou que desde o início da pandemia no dia 14 de março, a capital sul-mato-grossense teve quatro fases de crescimento distintas. A fase mais agressiva da doença aconteceu em julho, com o chamado crescimento exponencial de casos e internações.

“Além disso, os modelos ajustados nas três últimas semanas mostraram real achatamento da curva. Duas consequências deste achatamento é que as projeções para o número de pacientes que precisarão de atendimento em leitos clínicos e de UTI não indicam o colapso do sistema de saúde”, explicam os professores.

Jornal Midiamax