Entra ano e sai ano, a história é a mesma: com a volta às aulas, imediações das escolas na Capital tornam-se cenário do caos por cerca de 10 ou 15 minutos, algumas vezes ao dia, quando a pressa para embarcar e desembarcar estudantes torna-se desculpa para cometer infrações de trânsito.

É diante desta realidade que a tecnologia criou um novo pesadelo aos motoristas que desrespeitam as leis de trânsito. Agora, a utilização de um drone pelo BPMTran (Batalhão de Polícia Militar de Trânsito) deixa a fiscalização mais eficiente e, de certa forma, onipresente. Desta forma, aquela manobra proibida “porque não tem ninguém vendo” pode virar coisa do passado.

Somente na operação Volta às Aulas, deflagrada no último dia 7, numa parceria entre Agetran (Agência Municipal de Trânsito) e BPMTran, foram feitas 268 autuações após flagras do drone da Polícia Militar, até a manhã desta segunda-feira (18). A maior parte dos registros é referente a manobras de conversão em locais proibidos e ao “clássico” estacionamento em fila dupla.

A utilização do drone é novidade em Campo Grande, com testes iniciados em meados de janeiro e intensificado desde o dia 7, na operação. O dispositivo aéreo permite que um único agente de trânsito fiscalize vários locais, sem a necessidade de deslocamento. As imagens de alta qualidade – mesmo a 30 metros de altura – são enviadas para um tablet, a partir do qual o agente flagra as infrações.

Nesta segunda-feira (18), a força-tarefa do BPMTran e da Agetran inicia uma nova fase – após abordagens educativas e fiscalização em escolas municipais e particulares, as escolas estaduais de Campo Grande são o alvo, em operação que segue até o próximo dia 22.

Apesar das autuações, o objetivo ainda é conscientizar os condutores. De acordo com a PM, a fiscalização e as multas têm provocado mudança de comportamento – o número excessivo de autuações neste mês, comparado ao ano passado, é maior porque o drone entrou em jogo. A tendência, portanto, é que as multas que devem chegar em breve deixem os condutores mais cuidadosos.

Paralelamente a isso, a Agetran segue com o trabalho educativo, por meio da distribuição de folhetos e de atividades lúdicas de grupos musicais e teatrais, que também ambientam a calçada das escolas.

VÍDEO: Na volta às aulas, drone é novo 'pesadelo' para os pais abusados na frente das escolas
Segundo Ivanise Rotta, da Agetran, “caos” em frente a escolas dura pouco tempo, mas o suficiente para causar transtornos (Foto: Guilherme Cavalcante | Midiamax)

“O que notamos é que o transtorno em frente às escolas é muito rápido, é mais durante o desembarque e embarque dos alunos. Nesse tempo, estamos em frente às escolas, utilizando recursos para conscientizar esses condutores de que esses atos são irregulares. A fiscalização também está por perto e quem cometer infração poderá, sim, ser multado”, explica Ivanise Rotta, chefe da Divisão de Educação para o Trânsito da Agetran.

Segundo ela, além das filas duplas e das conversões proibidas, agentes têm observado crescimento da não utilização de equipamentos de segurança, como cadeiras infantis e uso de cinto de segurança no banco traseiro.

“Infelizmente essa conscientização é mais efetiva quando o condutor flagrado em infração é multado, e não, por exemplo, porque esses adultos entendem que estão expondo a vida deles e das crianças ao risco, pois qualquer infração pode acarretar em consequências, como um acidente de trânsito”, conclui.