Cotidiano

Cheia ou à espera de interessados, incubadora é ‘berço’ para sonho do próprio negócio

Alimentação é o segmento que mais cresce no mercado, principalmente de produção natural. Porém, sem preparação e conhecimento, poucos empreendedores conseguem se manter saudáveis. Para ajudar no processo de iniciação da ideia e aprimoramento do negócio é que existem as incubadoras. A realidade nos centros de Campo Grande, no entanto, é curiosa: de um lado […]

Ana Palma Publicado em 08/09/2019, às 08h44 - Atualizado em 09/09/2019, às 08h29

Na incubadora do Mário Covas, foco é setor têxtil (Foto: Leonardo de França, Midiamax)
Na incubadora do Mário Covas, foco é setor têxtil (Foto: Leonardo de França, Midiamax) - Na incubadora do Mário Covas, foco é setor têxtil (Foto: Leonardo de França, Midiamax)

Alimentação é o segmento que mais cresce no mercado, principalmente de produção natural. Porém, sem preparação e conhecimento, poucos empreendedores conseguem se manter saudáveis. Para ajudar no processo de iniciação da ideia e aprimoramento do negócio é que existem as incubadoras. A realidade nos centros de Campo Grande, no entanto, é curiosa: de um lado há locais lotados e de outros espaços com várias salas vazias à espera dos futuros empresários.

Na Capital, há quatro incubadoras mantidas pela Prefeitura Municipal, por meio da Sedesc (Secretaria de Desenvolvimento Econômico, de Ciência e Tecnologia). Cada um dos centros de desenvolvimento empresarial e de treinamentos é voltado para um segmento específico e oferece infraestrutura com salas para abrigar os projetos aprovados na seleção de candidatos à incubação, capacitações, consultorias, assessorias e espaço de inovação.

Artesanato, alimentação, têxtil e tecnologia. Esses são os segmentos das incubadoras de Campo Grande. Relatório que mostra o perfil socioeconômico da Capital revela que de todas essas áreas, a Incubadora Municipal Norman Edward Hanson – da área de alimentação, é a única com quase todas as vagas para incubados preenchidas.

De acordo com a gerente das incubadoras municipais, Tereza Teixeira, o ramo de alimentos é mesmo o que faz mais sucesso. “Hoje as pessoas quando querem empreender, a maioria busca na área de alimentos por ser um ramo que, se trabalhado corretamente, é possível ter um grande potencial de crescimento”, afirma.

A Incubadora Normam Edward Hanson, no bairro Santa Emília, possui oito salas e desse total cinco estão sendo usadas. A Sedesc está com um edital aberto que vai selecionar mais duas ideias de negócio para preencher o espaço e há mais de 20 pessoas na disputa pelas vagas.

Por ser uma área muito procurada, a Sedesc está planejando abrir em algumas incubadoras de outros ramos uma sala de capacitação para auxiliar esses empreendedores que não entram na incubação. “A ideia é ajudar com capacitações. Hoje não atendemos só os incubados, os empreendedores da comunidade também nos procuram para terem entendimentos, então abrir uma sala para capacitá-los é uma boa solução no momento”, explica Tereza.

Cheia ou à espera de interessados, incubadora é 'berço' para sonho do próprio negócio
Incubadora Municipal Mário Covas atua no segmento têxtil e afins (Foto: Divulgação PMCG)

Os incubados

Adriano Adamis de Souza é apicultor há mais de 25 anos. A ideia de incubar o negócio partiu da filha. No começo, ele não levou muito a sério, mas depois que viu toda a estrutura montada percebeu o potencial de crescimento que o negócio poderia ter. Dito e feito: hoje, praticamente, toda a produção de mel e derivados passa pelo espaço montado na incubadora.

A empresa dele, Mel Serra da Bodoquena, entrou em 2015 com a primeira incubação, onde apenas envasava o mel. No final da incubação, Adriano passou por um novo processo seletivo com uma nova proposta para aprimorar ainda mais o seu negócio. Então apresentou uma nova gama de produtos, que na época não fazia, e envolveu o empreendedorismo social com o ambiental.

“A incubadora para nós foi como uma mãe, nos deu suporte e abriu portas que a gente nunca imaginou. Aqui amadurecemos e temos mais credibilidade ao oferecer nossos produtos. Tenho certeza que sairemos pronto para encarar o mercado lá fora”, ressalta Adriano.

O casal Jander Pereira Padilha e Monica Rodrigues Padilha são os novatos na incubadora de alimentos. Recentemente montaram um negócio que chama Bela Moni Sorvetes, onde produzem picolés. Para iniciar o empreendimento, fizeram uma adaptação na casa e começaram a produção. Quando souberam da incubação, não pensaram duas vezes e correram atrás para participar.

“Estamos bem motivados e tenho certeza que a incubação vai abrir portas para o mercado. Ainda estamos engatinhando, mas vamos formalizar, nos capacitar e vai dar tudo certo”, diz Jander.

Salas vazias

A Incubadora Municipal Mário Covas – especializada na produção têxtil e afins, diferente da alimentação, tem apenas quatro salas ocupadas e uma delas pertence à República das Arteiras que trabalham com slow fashion para criadores de moda autoral, costura sob medida, alfaiataria e costura de coleções.

A sócia-proprietária Ivani Grance conta que antes de entrar para a incubadora, ela e as amigas trabalhavam em casa. “Para atender o bairro é cômodo trabalhar em casa, porém como nosso público é voltado para criadores de moda autoral precisávamos de um espaço adequado e a incubadora veio de encontro com a nossa necessidade no momento”.

“Um aluguel para uma estrutura como a que temos aqui é mais de dois mil reais, fora os custos com adequação. Então na incubação pagamos um valor bem baixo, entramos pagando R$ 200 reais, uma diferença bem grande”, afirma Ivani.

Ainda de acordo com ela, esses segmentos, como o têxtil, são mais difíceis de lotar a incubação, pois há pouca procura. “É um setor que tem um déficit de profissionais, a cidade pode até ter muitas costureiras, mas elas ficam escondidas. Trabalhar em casa ficamos inviáveis, precisamos ampliar o negócio e ter visibilidade e a incubadora proporciona um ambiente adequado, impõe respeito para o cliente e tem uma rede de apoio que ajuda no negócio”, finaliza.

Como começar

Um dos quesitos é inovação. A Bela Moni Sorvetes, por exemplo, não comercializa apenas picolés tradicionais. Como diferencial, estão testando a produção de picolés detóx, feito à base de água de coco e sem açúcar. Até o momento, o casal já tem seis sabores do tipo, mas que ainda precisam de adaptações antes de apresentar ao mercado.

Além disso, há todo um processo para ser incubado. Veja o passo a passo:

Ter perfil empreendedor (gerencial e técnico)

– Buscar uma incubadora e conversar sobre suas ideias e suas intenções para o negócio, já existente ou não.

–  Colocar as suas ideias no papel, preenchendo um plano de negócio.

– Preparar todos os documentos exigido nos Editais de Seleção das incubadoras;

– Se inscrever num Edital de seleção;

– Apresentar seu projeto para a banca.

– Se aprovado, assinar os instrumentos jurídicos das incubadoras para ingresso e incubação.

Uma empresa pode permanecer incubada por dois anos, podendo renovar por mais seis meses. Após essa data as empresas são graduadas e deverão buscar um local para se instalarem caso estejam instaladas na própria incubadora.

Quer saber mais sobre as incubadoras? Clique aqui.

Pesquisa

Dados disponibilizados pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) revelam que o percentual de sobrevivência de empresas no Brasil é preocupante. De cada 4 empresas abertas, 1 fecha antes de completar 2 anos de existência no mercado.

Um dos maiores problemas enfrentados pelo empresariado é a dificuldade de planejar e executar ações de marketing, especialmente as que envolvem o meio digital. Por isso, o papel da incubadora é fundamental. “Elas cuidam e auxiliam os empresários por determinado período, até que sua empresa esteja preparada para o mercado”, afirma Yago Roque Perez, assistente do Sebrae/MS.

“O Sebrae apoia empresas nascentes e empreendedores na formalização de seus negócios. É de nosso interesse que as incubadoras de empresas estejam aptas a oferecem suporte técnico, gerencial e formação complementar ao empreendedor e facilitar o processo de inovação e acesso a novas tecnologias nos pequenos negócios, contribuindo para que novos empreendimentos sejam criados em Mato Grosso do Sul, melhorando o ambiente empreendedor como um todo”, finaliza Yago.

Jornal Midiamax