Após polêmica, especialista diz que hino precisa ser estudado e não só cantado nas escolas

Uma polêmica gerada nas últimas semanas, em relação a execução do hino nacional dentro das escolas, tomou um rumo de discussões equivocado. O que se vê não são pessoas contrárias ao hino, mas sim contra o pedido do Ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, caracterizado como irregular pelos profissionais, de que as instituições filmassem os […]
| 07/03/2019
- 19:16
Após polêmica, especialista diz que hino precisa ser estudado e não só cantado nas escolas

Uma polêmica gerada nas últimas semanas, em relação a execução do hino nacional dentro das escolas, tomou um rumo de discussões equivocado. O que se vê não são pessoas contrárias ao hino, mas sim contra o pedido do Ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, caracterizado como irregular pelos profissionais, de que as instituições filmassem os alunos e enviassem vídeo para o MEC.

Mas o assunto não parou por ai, em Mato Grosso do Sul, segundo projeto apresentado nesta quinta-feira (7) na ALMS (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), os alunos da rede de educação básica podem além de executar o Hino Nacional, ter que hastear a Bandeira do País, assim como manda a Lei Federal 5.700, de 1º de setembro de 1971. 

Para a especialista em ensino de História e doutora em Educação, Maria Lima, o debate acabou tomando um caminho errado por falta de informação e é importante que se esclareça o ponto de discussão. “Não existe na sociedade nenhum grupo que seja contrário ao hino nacional e ao hasteamento da bandeira nas escolas. Não existe nenhuma objeção de qualquer educador quanto a isso. O que existe é um posicionamento contrário ao absurdo que o ministro da educação fez, um crime de responsabilidade, pedir que filmassem os alunos durante a execução do hino”.

Maria explica ainda que o pedido é irregular e vai contra a lei. “É o monitoramento de uma ação em espaço público de maneira irregular, e sem obedecer a lei. Então, você tem uma pessoa num cargo público que desobedeceu a lei”.

Objeto de estudo

Atualmente, Maria é professora na FAED (Faculdade de Educação) da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e destaca, como estudiosa do assunto, que além de separar o debate, é preciso que o Hino e a Bandeira sejam vistos como símbolo de identidade e objetos de estudo dentro das escolas.

“Não basta só colocar o aluno para cantar o Hino. É preciso trabalhar o Hino Nacional como uma produção cultural, assim como a Bandeira. Eles são documentos importantes de um período da história do país, e o brasileiro precisa entender o que significa isso”, explica.

“Estamos falando de um elemento de identificação. O Hino e a Bandeira são signos da identidade brasileira, e por isso são importantíssimos para questões políticas e sociais. Não podemos apenas fazer a criança decorar. A criança precisa entender que aquilo tem uma história, não foi um presente, mas a construção de uma identidade”, conta.

Para Maria, assim como as religiões devem ser analisadas, dentro da sala de aula,  com um ponto de vista critico, levando o aluno a pensar sobre a história e os símbolos que envolvem a Bíblia, o Alcorão, entre outros documentos religiosos, o Hino e a Bandeira são objetos de estudo fantásticos.

“Desde os anos 80 vêm se questionando a discussão do Hino na escola, não só a execução. Você aprende muito da história do Brasil, de língua portuguesa, literatura, tudo isso com o estudo dos hinos, não só o Nacional. Você leva o aluno a pensar sobre as marcas que constroem o brasileiro”, afirma.

Ela ainda ressalta, que não podemos tratar o hino de um ponto de vista autoritário, como se fosse algo dado, é preciso entender que ele é uma produção cultural que traz elementos históricos e marcas de um povo. “O Hino mexe com nossos sentimentos, é preciso compreender não só o texto, mas todos os significados contidos ali. O nosso Hino é lindo, e precisamos incentivar esse estudo e mostrar o significado de pertencimento que ele traz ao povo brasileiro”, conclui.

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