Campo-grandense perde até um terço do tempo no trânsito parado em semáforos

Dirigir na cidade não é tarefa das mais agradáveis. Os motoristas precisam ter paciência para percorrer avenidas como a Afonso Pena e a Mato Grosso. Mesmo fora do horário de pico, quase um terço do tempo no trânsito foi gasto com a parada nos semáforos.
| 10/05/2018
- 13:23
Campo-grandense perde até um terço do tempo no trânsito parado em semáforos

Dirigir na cidade não é tarefa das mais agradáveis. Trânsito emperra em horário de pico, o semáforo fecha e um deslocamento curto que poderia ser feito em poucos minutos acaba virando uma epopeia. É preciso ter paciência para percorrer avenidas como a Afonso Pena e a Mato Grosso: o motorista perde um terço do tempo no trânsito parado nos semáforos da Capital.

Campo-grandense perde até um terço do tempo no trânsito parado em semáforos
Clique e confira o trajeto na Afonso Pena. (Foto: Reprodução/Google Maps)

Na tarde desta terça-feira (8) uma equipe do Jornal Midiamax percorreu o trajeto da , entre o shopping Campo Grande e a Avenida Duque de Caxias, que tem limite de velocidade de 50 km/h. Entre as 13h52 e 14h07, tempo necessário para percorrer os cinco quilômetros, a equipe foi obrigada a parar em dez semáforos vermelhos. Com isso, a velocidade máxima atingida na via não passou de 40 km/h.

No trecho existem 23 semáforos e, em cada sinal fechado, uma espera média de 26 segundos. Resultado: dos 15 minutos necessários para completar o caminho, o carro ficou parado no semáforo por quase um terço do tempo. “É uma avenida grande, mas a programação semafórica é absurda, sempre pego grande quantidade de semáforos fechados, é um teste de paciência”, reclama o jornalista Ricardo Silva.

Campo-grandense perde até um terço do tempo no trânsito parado em semáforos
Clique na imagem e confira o trajeto percorrido. (Foto: Reprodução/Google Maps)

A equipe de reportagem também percorreu um trecho da , que começou na rua Hiroshima, no Parque dos Poderes, e seguiu até o cruzamento com a avenida Ernesto Geisel. O trajeto de 6 km foi percorrido também a uma velocidade média de 40 km/h e, em comparação com o trecho da avenida Afonso Pena, o tempo de espera foi maior.

O tempo médio em cada cruzamento foi de 34 segundos em cada semáforo, mas o número paradas foi menor: de 24 sinalizações, oito estavam com o sinal vermelho. O trecho foi percorrido entre as 10h35 min e as 10h49min desta quarta-feira (9) e, dos 14 minutos de viagem, quatro minutos e meio foram gastos ao parar nos cruzamentos com semáforo – assim como a Afonso Pena, quase um terço da viagem.

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O porteiro Milton avalia que a programação dos semáforos é razoável. (Foto: Marcos Ermínio)

Para o porteiro Milton, é a sorte que determina o ritmo no trânsito. “Às vezes até consigo pegar uma onda verde aqui na avenida Mato Grosso, se colocar a 40 km/h vai beleza, mas nem sempre consigo, tem dias que paro em quase todo semáforo”, afirma.

O vendedor Fernando Alves acredita que a programação da sinalização é razoável e que não há muita demora. “Eu pego avenidas todos os dias, eu acho que é tranquilo”.

Onda verde

E é com a promessa de acabar com esse calvário que a Prefeitura deve instalar na cidade a chamada Onda Verde, sincronização dos semáforos que permite ao motorista encontrar o sinal sempre verde, caso mantenha a velocidade constante. A promessa da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) é agilizar o trânsito para os motoristas.

A estimativa é de um investimento de quase R$ 38 milhões nos próximos dois anos. Campo Grande já teve onda verde entre os anos de 2009 a 2012. Atualmente as avenidas Júlio de Castilho e a Zahran possuem a onda verde, de acordo com a assessoria.

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A professora Carminda afirma que enfrenta problemas pela falta de manutenção nos semáforos. (Foto: Marcos Ermínio)

Na última segunda-feira a administração iniciou uma revisão geral em todos os 470 semáforos na Capital. Além de dar manutenção e trocar semáforos danificados, o programa vai implantar uma onda verde no trânsito de Campo Grande.

Também será feita a substituição de lâmpadas queimadas e porta-focos danificados. A professora Carminda Pereira reclama das condições da sinalização em Campo Grande e afirma que a manutenção é necessária. “Você chega no semáforo e não dá pra identificar as cores, às vezes não funciona a iluminação, você nem sabe se vai abrir”, lamenta.

Segundo o diretor presidente da Agência Municipal de Transporte e Trânsito, Janine Bruno, em paralelo à manutenção dos semáforos, o projeto para troca de 200 equipamentos continua. A iniciativa envolve a restauração para depois os semáforos serem reutilizados em locais onde os estudos indicarem a necessidade. O trabalho está no início, já foi feita a troca de semáforos em seis cruzamentos da Rua Ceará; três da Eduardo Zahran e, atualmente, está sendo feito trabalho no trecho mais central da Rua Pedro Celestino.

De acordo com a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), o primeiro passo é a reparação e substituição de semáforos danificados. Só então será feita uma reprogramação da sincronia dos semáforos e haverá uma central de monitoramento que irá regular a sinalização em tempo real. “Essa central vai possibilitar uma atualização da programação de acordo com a situação. Caso aconteça um acidente, por exemplo, a central vai arrumar o tempo dos semáforos na hora, para ajudar no fluxo do trânsito”.

A Agetran ainda adianta a semaforização da rotatória das avenidas Gury Marques com Interlagos, considerada um dos gargalos do trânsito da cidade. O formato do projeto é semelhante ao implantado na rotatória da Mato Grosso com a Nelly Martins.

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