Cotidiano

Bebês trocados na maternidade voltam aos pais biológicos em MT

Pais dizem que sentem falta do bebê que criaram por quase um ano 

Ana Clara Santos Publicado em 19/04/2018, às 20h25 - Atualizado em 23/04/2018, às 10h30

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Pais dizem que sentem falta do bebê que criaram por quase um ano

Há onze meses, dois bebês foram trocados em uma maternidade, em Alta Floresta, município a 800 km de Cuiabá e, nessa terça-feira (17), eles voltaram para as mães biológicas, que concordaram mutuamente com a ‘destroca’. Contudo, os pais dizem que devolver os bebês que criaram por quase um ano foi um momento muito difícil e ainda estão se adaptando com ausência de um e presença do outro.

De acordo com o G1, a troca dos bebês aconteceu em 2017 no Hospital Regional de Alta Floresta e foi preciso fazer exames de DNA para confirmar o fato e, durante a audiência de conciliação realizada na 3ª Vara Cível do município as famílias decidiram em desfazer a troca,

Um dos casais envolvidos na história, Afonso Souza Vieira, de 30 anos, e Erivânia da Silva Santos, de 24 anos, diz que a troca foi algo muito difícil.  Eles moram no bairro Alta Cidade, que fica do outro lado de onde agora mora o filho que eles acreditavam ser deles.

Os pais dizem que ainda não conseguiram se desvencilhar do outro bebê. “É um amor incondicional. Foram 10 meses com a gente, chorando, beijando e cheirando ele. A ausência não está fácil. Nos apegamos muito no outro bebê. Ainda não tem amor envolvido como tinha no outro”, declarou o pai.

Erivânia também precisa se adaptar à troca, pois, ainda amamentava o bebê que voltou para mãe biológica. “Ele [o bebê que foi trocado ainda mamava no peito. É muita lembrança. O bebê [filho biológico] é bonzinho, só quer ficar comigo, mas acho que sente saudade dela [da outra mãe]”, comentou Erivânia.

Ambos casais concordaram em não ter uma convivência próxima por enquanto, até que as famílias se acostumem com seus filhos verdadeiros.

Entenda o caso

A suspeita de troca foi de Francielli Monteiro Garcia, mãe de um dos bebês. De acordo com ela, após o parto precisou ir para o centro cirúrgico devido a complicações que teve e, por isso, não viu o rosto de seu filho assim que ele nasceu.

Ainda segundo seu relato, foi apenas ao chegar em casa que percebeu que na pulseirinha de identificação constava um nome diferente e questionou o hospital, mas foi informada que não havia possibilidades de troca.

Contudo, meses depois levou seu filho à uma consulta de rotina, na qual encontrou Erivânia da Silva Santos, que também estava com um bebê de colo. Francielli diz ter ficado em choque ao perceber que o filho da outra mãe tinha traços de sua família. Durante uma conversa elas perceberam que os bebês poderiam ter sido trocados no dia em que nasceram. Então, ela buscou confirmar a suspeita de troca, a qual foi comprovada por meio de exames de DNA, confirmando sua suspeita.

Na época dos fatos, o hospital se manifestou por meio de nota e confirmou que as duas mães ficaram no mesmo ambiente após o parto com seus respectivos filhos, até a alta hospitalar. Alega ainda que não houve falhas nos procedimentos adotados pelos funcionários da unidade.

Jornal Midiamax