Após polêmica com ex-presidente Geisel, moradores sugerem troca de nome de avenida

Depois de relato em reunião da CIA (Centro de Inteligência Americano) relatando que, em seu governo, o presidente Ernesto Geisel teria autorizado execução de opositores, os moradores de Campo Grande se mostraram incomodados e sugeriram a troca do nome da avenida que leva o nome do ex-presidente. Durante o seu mandato, 89 pessoas morreram ou […]
| 12/05/2018
- 14:26
Após polêmica com ex-presidente Geisel, moradores sugerem troca de nome de avenida

Depois de relato em reunião da CIA (Centro de Inteligência Americano) relatando que, em seu governo, o presidente Ernesto Geisel teria autorizado execução de opositores, os moradores de Campo Grande se mostraram incomodados e sugeriram a troca do nome da avenida que leva o nome do ex-presidente. Durante o seu mandato, 89 pessoas morreram ou desapareceram.

Um dos internautas comentou no Facebook que a melhor opção seria mudar o nome da via “que leva o nome de um ditador” para o nome de Avenida Lídia Baís. “Homenagearíamos uma grande mulher e pioneira nas artes por aqui e ainda nos livraríamos de uma das mais importantes vias de nossa cidade levar o nome de um sanguinário ditador”, afirmou Rogério Zanetti.

Em seguida à publicação, muitas pessoas concordam com a sugestão e dispõem-se a causa e até sugerem outros nomes como Helena Meirelles, uma cantora sul-mato-grossense, ou simplesmente Avenida Norte Sul. No entanto, outros são contra ideia da troca de nome da avenida.

O nome, segundo alguns, poderia continuar o mesmo para que as pessoas nunca se esqueçam do passado do país. “Discordo totalmente, se muda o nome, esquece-se a história. O nome tinha que continuar pra ninguém esquecer que esse maldito regime militar existiu”, escreveu uma moradora.

Com o mesmo pensamento da internauta anterior, um morador afirma: “Por mais que o cara (Geisel) foi um m***a (ou não), um nome não deveria ser mudado. Outra coisa é o custo. Sempre arrumam um jeito de custear essas coisas. ”, afirma.

Mortes

Nesta sexta-feira (11) diversos veículos nacionais divulgaram que 89 pessoas morreram ou desapareceram no Brasil por motivos políticos a partir de 1° de abril de 1974 e até o fim da ditadura, segundo levantamentos com base nos registros da CNV (Comissão Nacional da Verdade). Foi a partir desta data que o general Ernesto Geisel, então presidente do Brasil, autorizou execução de opositores, segundo documento da CIA tornado público recentemente pelo governo americano.

Além disso, pode haver mortes e desaparecimentos durante esse período da ditadura que não foram registrados.

Entre as vítimas desse período, estão o jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 25 de outubro de 1975 após se apresentar voluntariamente ao Centro de Operações de Defesa Interna, um órgão militar da ditadura; e o metalúrgico Manoel Fiel Filho, que foi torturado até a morte, em 17 de janeiro de 1976, nas dependências do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do II Exército, em São Paulo.

Quem foram Lídia Baís e Helena Meirelles?

Lídia Baís foi uma pintora e desenhista campo-grandense que nasceu em 1900 e faleceu em 1985 na Capital. Lídia viveu na Europa por um ano, em 1928 estudando sobre arte, em 1950 funda o Museu Baís em Campo Grande, que não chega a ser aberto ao público e ingressa a Ordem Terceira de São Francisco de Assis, adotando o nome de Irmã Trindade. A partir daí, passa a dedicar-se exclusivamente aos estudos religiosos e filosóficos. Por volta de 1960 publica, sob o nome fictício de Maria Tereza Trindade, o livro ‘História de T. Lídia Baís’.

Helena Meirelles foi uma violeira, cantora e compositora nascida em 1924 na cidade de Bataguassu, interior do Estado. A artista sul-mato-grossense chegou a ser reconhecida mundialmente pelo seu talento como tocadora de viola caipira. Ela faleceu aos 81 anos, em 2005, na cidade de Presidente Epitácio, SP.

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