Aguardado desde 2012, aplicativo para cegos finalmente sai do papel

Demora para implantação foi alvo do Ministério Público
| 11/05/2018
- 16:37
Aguardado desde 2012, aplicativo para cegos finalmente sai do papel

A em parceria com o e outras entidades lançaram, nesta sexta-feira (11/5), o aplicativo de mobilidade urbana chamado ‘Todos no ônibus’, desenvolvido para facilitar o deslocamento de pessoas com deficiência visual parcial ou total. A ferramenta era aguardada desde 2012, quando foi prometido pelo município.

A demora para implantação do programa virou alvo do MP-MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), que abriu procedimento investigativo para apurar “suposta inércia do município de Campo Grande”, que havia prometido desenvolver o aplicativo, mas que nunca saiu do papel.

Diante disso, a Prefeitura e Ministério Público fizeram um acordo para que o aplicativo fosse desenvolvido e colocado em prática.

Coordenado pela Agência Municipal de Tecnologia da Informação e Inovação (Agetec), o aplicativo levou cerca de oito meses para ser desenvolvido, através de colaboração com o Ismac (Instituto Sul-Mato-Grossense Para Cegos).

“Hoje se comemora um produto fruto de muitas equipes e boa vontade”, discursou o promotor de Justiça Eduardo Cândia, da 67ª Promotoria de Direitos Humanos de Campo Grande. “Ele veio para dar autonomia e independência para a pessoa com deficiência, um valor que deve cada vez mais ser perseguido”.

Assim como Cândia, o diretor-presidente da Agetec, Paulo Fernando Cardoso, disse que o aplicativo, apesar de já estar disponível para o público alvo, deve passar por constante aperfeiçoamento e que para isso precisa do apoio dos usuários indicando o que precisa ser melhorado.

O prefeito Marquinhos Trad (PSD) destacou que o nome do aplicativo ‘Todos no ônibus’ é uma referência para que ninguém se sinta discriminado. “Uma cidade não se administra sozinho. Quando falamos que ela é de todos, não estamos diferenciando ninguém. Quando você começa a diferenciar, afronta direitos”, discursou.

Segundo o chefe do Paço Municipal, a iniciativa é pioneira e não exista nada parecido em todo o país.

O diretor-presidente do Consórcio Guaicurus, informou que as empresas de ônibus gastaram cerca de R$ 5 milhões em toda a estrutura de pacote tecnológico para o aplicativo funcionar, pois depende de tablets, servidores de internet, e GPS em todos os veículos da frota.

Como funciona

Todas as linhas disponíveis na cidade estão prontas para receber os usuários do aplicativo. Com o uso de um tablet, o motorista será avisado por um aviso sonoro, no momento em que o usuário do aplicativo solicitar a linha pelo celular.

O motorista terá o registro do ponto onde estará o usuário e, ao chegar ao local, irá chamar o passageiro pelo nome. A iniciativa facilitará a pessoa na hora do embarque e oferta todas as informações necessárias para o usuário chegar ao destino desejado.

O aplicativo será útil antes mesmo de o passageiro chegar ao ponto, uma vez que o sistema, por meio de áudio, irá orientar o usuário durante o trajeto até o ponto mais próximo.

Os motoristas do Consórcio Guaicurus também passaram por uma qualificação a fim de entenderem o procedimento para abordagem dos passageiros durante o embarque especial.

Juntos, o Ismac e a Advms possuem cerca de 1,6 mil pessoas cadastradas, cujo montante representa apenas uma parte da parcela de pessoas com deficiência visual que vivem hoje em Campo Grande.

A ferramenta deve atender neste primeiro momento cerca de 523 pessoas cadastradas na Capital.

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