Cotidiano

Terceiro ano consecutivo a bater recorde, 2016 foi o ano mais quente, diz OMM

Temperatura é registrada desde 1850

Tatiana Marin Publicado em 18/01/2017, às 22h10

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Temperatura é registrada desde 1850

Desde 1850, ano em que os registros de temperatura da Terra começaram a ser tomados, 2016 foi o ano mais quente. Além disso, o ano passado foi o terceiro consecutivo a bater recordes de temperaturas registrados, fato que nunca havia acontecido. O El País publicou que a informação foi confirmada nesta quarta-feira (18) pela OMM (Organização Meteorológica Mundial), que é uma agência das Nações unidas.

Segundo a OMM, a temperatura mundial em 2016 ficou 1,1ºC acima da registrada na era pré-industrial e foi 0,07ºC maior que a constatada em 2015. "O ano passado foi extremo para o clima global e se destaca como o mais quente desde que se tem registro”, afirmou Petteri Taalas, o secretário-geral da OMM.

“Os indicadores no longo prazo das mudanças climáticas provocadas pelos humanos alcançaram máximas em 2016”, acrescentou em um comunicado. “As concentrações de dióxido de carbono e de metano também atingiram novos recordes”, assinalou.

"Também superamos os recordes mínimos de gelo no Ártico e na Antártida”, alertou Taalas. Ale atesta ainda que o Ártico está se aquecendo duas vezes mais rápido que a média mundial. Dentre os registros, 15 dos 16 anos mais quentes, se passaram neste século, O único a ter temperaturas recordes no século anterior, foi 1998.

A OMM se baseou em dados da Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA, da NASA, do Instituto Meteorológico do Reino Unido, do Centro Europeu sobre Previsões Meteorológicas e da unidade de pesquisa sobre o clima da Universidade de East Anglia (Reino Unido).

A mudança drástica no clima global preocupa a comunidade internacional, que em 2016 chegou a um acordo histórico. Entretanto há receio que Donald Trump, o novo presidente dos EUA, retire seu país do acordo, pois não acredita no aquecimento global.

Os relatórios mostram que a temperatura média subiu no final do século XIX, entretanto o evento se acentuou sobretudo nos últimos 35 anos e 16 dos 17 anos mais quentes aconteceram desde 2001. A Nasa afirma que as emissões de gases de efeito estufa são as principais culpadas do aquecimento.

Em 2015 e no primeiro terço de 2016, registrou-se um aquecimento adicional associado ao fenômeno El Niño, que se origina no Oceano Pacífico e muda o clima a nível global. Esse fenômeno aumentou a temperatura média em 2016 em 0,12 graus, explicou a NASA. “Não esperamos que a partir de agora a cada ano volte a ser o mais quente, mas a tendência do aquecimento em longo prazo é clara”, ressaltou Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard de Análise Espaciais da NASA.

Que 2016 seja o ano mais quente “não é uma surpresa”, mas é “preocupante que, inclusive sem El Niño, as temperaturas alcançassem cifras recorde” explicou Dave Reay, da Universidade de Edimburgo, ao Science Media Centre. Mark Maslin, climatólogo do University College de Londres, assinala que, com os novos dados na mão, é preciso “abandonar a ideia de que houve uma pausa na mudança climática”, pois esta “não mostra nenhum indício de estar retrocedendo”. “O ano mais quente registrado deve ser um alarme que nem sequer o presidente eleito Donald Trump pode ignorar”, ressaltou.

Jornal Midiamax