Prefeito diz que ponto eletrônico vai separar médicos ‘bons dos maus’

Prefeito rebate avaliação de sindicato sobre debandada de profissionais
| 18/04/2017
- 21:30
Prefeito diz que ponto eletrônico vai separar médicos ‘bons dos maus’

Prefeito rebate avaliação de sindicato sobre debandada de profissionais

Considerada pela gestão Marquinhos Trad (PSD) como solução para controlar a frequência dos médicos que atuam na rede pública de saúde de Campo Grande, a instalação de pontos eletrônicos vai “separar os bons dos maus profissionais”, afirmou nesta tarde o prefeito. Trad rebateu a avaliação do Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul) de que a instalação do sistema de controle vai criar uma debandada de médicos dos postos.

Em entrevista ao Jornal Midiamax, Marquinhos reforçou que tem “maior respeito” pela classe médica. Segundo ele, além de cumprir recomendação do MPE (Ministério Público Estadual), a instalação dos pontos vai representar um “marco para que a ética na conduta dos médicos fique em harmonia com a população”. A previsão é que os pontos sejam instalados em todas as unidades de saúde de Campo Grande entre o final deste ano e início de 2018.

Em relação a afirmação do presidente do sindicato que representa os médicos, Flávio Freitas Barbosa, sobre possíveis pedidos de demissão em massa de profissionais, o prefeito Marquinhos desqualificou a avaliação do sindicalista.

“Já pensou se em todos os lugares do país onde os pontos eletrônicos fossem instalados houvesse debandada? Não teríamos mais funcionários públicos. Toda população hoje bate ponto”.

MELHORIAS

Ainda conforme o prefeito, além de controle de frequência dos médicos e consequentemente melhor atendimento para a população, mais investimentos na saúde também estão sendo tratados como prioridade pela gestão. O prefeito destacou a reposição de 75% dos medicamentos.

“A saúde pública vem ao longo dos anos se desmanchando, vem se deteriorando. Chegamos ao ápice. Para reconstruir, demora a médio e a longo prazo. Vamos oferecer uma estrutura melhor, é o que mais queremos, não apenas por causa dos médicos, mas porque a população merece”, completou Trad que está há 71 dias úteis a frente do comando da Capital.

OS PONTOS

O Jormal Midiamax apresentou um diagnóstico de possíveis ausências em plantões nos postos de saúde de Campo Grande. Pediatras que segundo a escala deveriam estar trabalhando, não foram encontrados pela reportagem. Após repercussão da matéria, o prefeito prometeu a instalação de pontos eletrônicos para controlar a frequência dos médicos que cumprem plantão na rede pública de saúde.

O presidente do Sinmed-MS acredita que a instalação do sistema de ponto ocasionará mais pedidos de demissão por parte dos médicos que atuam na saúde pública de Campo Grande. “Com o ponto, a debandada vai ser maior ainda”, enfatiza.

Apesar da opinião proferida, Flávio se posiciona a favor do controle. “Sou 100% a favor do ponto, mas tem que ter contrapartida da Prefeitura. Para cobrar o trabalho, tem que oferecer condições”, alega. Segundo ele os médicos que prestam serviço em escala de plantões precisam de local para descanso e alimentação. “Há mais de três anos os médicos não recebem almoço nos intervalos dos plantões. Eles não tem lugar pra ficar nos intervalos”, explica.

Flávio compara a situação vivida pelos médicos com a de procuradores. “O salário base de um procurador é R$ 20 mil. Procurador não bate ponto. E um médico, ganhando R$ 2.500?”, indaga.

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