Cotidiano

Morre Toshimitsu Aratani aos 85 anos, após deixar livro para descendentes

Foi pioneiro da imigração japonesa no Estado

Tatiana Marin Publicado em 29/09/2017, às 19h57

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Foi pioneiro da imigração japonesa no Estado

Morreu nesta sexta-feira, aos 85 anos, um dos pioneiros da imigração japonesa no Estado, o aposentado bancário e pecuarista Toshimitsu Aratani. Atuante entre a comunidade japonesa, era muito ativo na Associação Nipo Brasileira e um forte colaborador da Igreja Budista, além de ser um entusiasta do beisebol. Meses antes de morrer, deixou para seus descendentes um livro com suas memórias.

Toshimitsu Aratani foi o sexto filho de uma das famílias japonesas que imigrou para o Basil. Nascido em 23 de janeiro de 1932, em Bastos (SP), passou a infância na Fazenda Harmonia. Se tornou bancário aos 19 anos em Presidente Prudente (SP), profissão á qual se dedicou por 30 anos. Em meados do século passado foi transferido para o então Mato Grosso e incentivou seus irmãos para também se mudarem para Campo Grande.

Após deixar a carreira bancária, tornou-se pecuarista em Rio Negro, município 163 quilômetros distante de Campo Grande, e ao esporte, sendo um dos que mais contribuiu para o beisebol na Capital.

Foi uma das lideranças que batalharam pela construção da sede da Associação Campograndense de Beisebol e concretizou a realização do sonho de muitos adeptos à atividade: a criação da Federação de Beisebol e Gatebol em Mato Grosso do Sul.

Segundo Jorge Gonda, presidente da Associação Nipo Brasileira de Campo Grande, Toshimitsu foi sempre muito ativo nas diversas organizações que envolvem a comunidade japonesa. “Sempre ajudou muito a Associação Nipo e colaborou bastante para a Igreja Budista”, conta.

O descendente nipônico era atuante também em toda a sociedade, tendo construido com recursos próprios uma ponte que atende aos moradores e negócios  de Rio Negro.

Livro

Antes de morrer, Toshimitsu deixou um livro para seus descendentes. Segundo sua sobrinha, a jornalista Neiba Ota, o desejo do pecuarista era salvar a saga da família do Japão ao Brasil, que poderia “ser esquecida pelo tempo e até enterrada de vez com a partida dos mais velhos”.

À sobrinha, Toshimitsu contou os detalhes de uma vida de sacrifícios e conquistas. As lembranças registradas trazem lições de determinação de um trabalhador que chegou no, então, Mato Grosso, assistiu a criação de um novo estado e contribuiu para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. O Livro Raízes de Amor, Fé e Trabalho foi lançado em abril.

Jornal Midiamax