Cotidiano

‘Luto’, diz presidente de entidade do turismo sobre manutenção da pesca do dourado

Projeto que proibiria a pesca foi derrubado na Assembleia

Midiamax Publicado em 07/06/2017, às 21h10

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Projeto que proibiria a pesca foi derrubado na Assembleia

Depois de muita polêmica, o Projeto de Lei (PL) 237/2016, que buscava proibir a pesca, a venda e o transporte do peixe dourado em Mato Grosso do Sul, foi derrubado por 9 votos contra 8 em sessão da Assembleia legislativa de Mato Grosso do Sul desta quarta-feira (7). A iniciativa – do deputado Beto Pereira (PSDB) – foi motivada por empresas ligadas ao turismo, em especial na região de Corumbá, a 444 km de Campo Grande. Para a representante da Associação dos barcos-hotéis de Corumbá, Joice Carla Santana, o setor está de ‘luto’ com o fim do projeto.

“Eu nem tenho o que falar, foi um ato muito triste. Não deu conta de fazer uma lei de preservar um peixe. Se os governantes não viram a necessidade e o pedido de socorro dos empresários, será que quando for tarde vão ver? É um dia de luto”, comentou Joice.

O lobby do setor ocorre em razão da suposta diminuição do peixe em Mato Grosso do Sul. Com a diminuição do peixe, o turismo da pesca tem perdido público no Estado, conforme explicam as associações. Além disso, do ponto de vista ambiental, explicam que a espécie – por ser um ‘predador topo de cadeia’ – deve ser preservada para que o equilíbrio do ecossistema seja reestabelecido.

“A gente está fazendo de tudo para que Mato Grosso do Sul seja notado por um ato de turismo responsável, por um ato de preservação”, complementou.

Corumbá vai no caminho contrário

Em Corumbá, no entanto, a oferta do Dourado não parece ser um problema no momento. Ao menos é que aponta o vereador Rufo Vinagre (PR), presidente da comissão municipal de meio ambiente. Ele promoveu dois projetos de lei, conforme explicou, que fizeram com que o peixe voltasse a aumentar nos Rios da cidade. Um deles existe desde 2009 e acaba de ser renovado, e só permite a pesca no sistema pesque e solte. O outro, proíbe que o peixe seja transportado para fora de Corumbá.

“Em Corumbá é permitido o comércio, mas é proibido o lacre, você ir embora com o peixe. E aí a gente entrou com uma lei que é parecida com Goiás. Em Goiás você pode pescar e comer no barco, mas não pode levar pra casa. Aqui você pode pescar, com a quota que tem, e comer. Mas não pode levar pra casa e comer”, explicou.

O vereador criticou a ‘derrubada do projeto’. “É o único Estado que se pratica extrativismo puro ainda, então, em nenhum lugar do Brasil hoje você retira e leva”, afirmou.

Uma das críticas de quem se posiciona contra a proibição da pesca do dourado é a falta de estudos que comprovem que a espécie está mesmo desaparecendo dos rios. O vereador discorda.

“Não tem comprovação científica pra quem não está no rio, então o estudo, o embasamento que deram, pra mim, é ridículo, porque esse estudo, sabe desde quando eles não estudam? Desde 2003. Tem que ter o estudo? Logicamente tem que ter o estudo. Agora, pra quem está no rio, é visível que o Dourado aumentou com a proibição”, pontuou.

Proibição poderia ameaçar ribeirinhos

Na última semana, o Presidente da Colônia de Pescadores de Anastácio – a 134 km de Campo Grande – Aparecido Carlos dos Santos, 50, conversou sobre o assunto com a reportagem e afirmou que o projeto só irá beneficiar o setor de turismo, que, segundo ele, quer atrair o público do chamado ‘pesque e pague’.

“Se isso daí fosse verdade, eles teriam embasamento técnico e científico dos pesquisadores. Ele representa o setor de turismo. Essa questão nasceu aqui em Aquidauana”, contou ele, citando uma empresa da área.

“Eles acham que preservando vai ficar igual na Argentina. O rio lá é uma profundidade muito grande. Eu vejo o seguinte, eu conheço o rio Nioaque. Já há muitos anos está probidade a pesca. Tenho conversado com pessoal de fazenda e eles dizem que não alterou nada. Essa questão é só mesmo o olho do turismo. Querem vender pacote para turista”, conta.

Quem endossa a mesma opinião é o Vice-presidente da Fepeams (Federação de Pescadores e Aquicultores do Estado de Mato Grosso do Sul) e presidente da Colônia de pescadores de Coxim, Arnildo Batista alega que Corumbá é a única cidade que irá ‘lucrar’ com o projeto.

“Os moradores ribeirinhos não vão poder pescar esse peixe e qualificar uma classe que não faz parte, para usufruir. O resto dos municípios não serão beneficiados. Nenhuma tem estrutura para esse tipo de pesca. Outro porém é que o Dourado é o peixe mais sensível que tem. E ao devolver para água se torna presa fácil para a piranha. O turista vai pegar, levantar, pesar, tirar foto, ele se torna uma presa fácil”, contou ele.

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