Cotidiano

‘Bife na chapa’ já causou 2 mortes neste ano em MS, com casos mais graves

Dois óbitos foram registrados desde janeiro

Midiamax Publicado em 01/06/2017, às 20h41

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Dois óbitos foram registrados desde janeiro

Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande – que trata a maioria dos casos de queimaduras – atendeu 22 vítimas de acidentes ocorridos durante preparo de bife na chapa. Os índices consideram as internações desde de 1º de janeiro até 31 de maio. O número é menor que o registro do mesmo período do ano passado, quando 39 pessoas foram internadas no hospital pelo mesmo motivo, no entanto, os casos estão mais graves.

Segundo a enfermeira assistencialista do setor de queimados da Santa Casa, Priscylla Kathianna Silveira, além do álcool, normalmente usado no preparo de bife na chapa, a população tem utilizado outros líquidos inflamáveis, entre eles, diesel, gasolina e querosene, além disso, a quantidade também é maior.

“Pelos relatos percebemos que estão utilizando galões maiores de líquido inflamável e isso consequentemente provoca explosões maiores. Não existe controle na retirada dos combustíveis nos postos, por exemplo. As pessoas compram mais, usam mais e o acidente é mais intenso”, explica.'Bife na chapa' já causou 2 mortes neste ano em MS, com casos mais graves

Levantamento feito nesta quinta-feira (1º) mostra que 23 pacientes estão internados no ala de queimados, que conta com apenas 16 leitos.  Deste total dois estão no CTI (Centro de Terapia Intensiva) e devido a falta de vagas, três são mantidos o setor de plástica. 

Pryscilla diz que dos 23 pacientes que permanecem internados por queimaduras, 10 foram por acidentes durante o preparo de bife na chapa. Uma das vítimas é Altair Peio Monteiro da Silva, de 18 anos. No último dia 13 o jogador de futebol, que mora em Chapadão do Sul – distante 325 quilômetros de Campo Grande – teve 96% do corpo queimado.

“Percebi que estava acabando o fogo e coloquei mais álcool. Fiz isso na primeira vez e deu certo, na segunda vez explodiu e o meu corpo ficou em chamas. Jogaram água no meu braço e foi pior. Meu primo veio com um cobertor e me abraçou. Quando ele fez isso o fogo apagou e já me levaram para o hospital, mas ele acabou se queimando também”, relata.

Jogador de futebol teve 96% do corpo queimado

Internado há 19 dias, Silva diz que ainda não recebeu previsão de alta  médica, mas garante não se envolver mais no preparo de bife na chapa. “Isso não quero nunca mais. A dor é insuportável. Nem medicamento faz passar. Não tinha ideia do perigo disso. Se não fosse o meu primo  no dia, eu estaria morto”, declara.

'Bife na chapa' já causou 2 mortes neste ano em MS, com casos mais graves​A enfermeira assistencialista do setor de queimados explica que no caso de queimaduras não se deve jogar água na vítima.

“Isso só prejudica porque tem oxigênio e faz queimar ainda mais. O indicado é jogar um cobertor, de preferência de algodão que ajuda a apagar o fogo, e abafar o fogo até apagar. A pessoa que estiver ajudando deve usar uma proteção nas mãos, caso contrário também vai se queimar. É importante dizer que não pode colocar manta acrílica”, observa.

Além dos ferimentos externos, outro fator preocupante, conforme a especialista, é a queimadura inalatória.

“É pior porque não vemos, mas queima toda a estrutura respiratória e leva mais facilmente à morte”, frisa Pryscilla. 

Mortes –

Desde janeiro deste ano até o último dia de maio, três pessoas morreram na Santa Casa, vítimas de queimaduras, sendo duas por acidentes durante preparo de bife na chapa. 

Nessa quarta-feira (31) Sophia da Silva, de 4 anos, morreu. Segundo o avô, que preferiu não se identificar, na sexta-feira (26) o irmão mais velho de Sophia – um adolescente de 14 anos – fazia bife na chapa para um grupo de amigos quando ocorreu o acidente.

A menina foi socorrida e encaminhada para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Universitário. Ela teve 15% do corpo queimado e foi levada para a Santa Casa onde ficou internada por cinco dias e faleceu.

Atualmente 23 vítimas de queimaduras estão internadas na Santa Casa

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