Cotidiano

Asseguradas por lei, passagens gratuitas ainda são desafios para idosos

Falta de fiscalização está entre as reclamações

Ana Paula Chuva Publicado em 03/10/2017, às 20h12

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Falta de fiscalização está entre as reclamações

Mesmo assegurada pela lei, idosos encontram dificuldades para conseguir as passagens gratuitas em viagens interestaduais/intermunicipais por parte. Adquirir o bilhete é uma tarefa que exige muita paciência para muitos deles. Reservar com muita antecedência, ter que pagar o valor integral em viagens de urgência e até encontrar pessoas sentadas nas poltronas reservadas estão entre as reclamações.

Em sua maioria aposentados e pensionistas, dependentes de salário mínimo e tendo que comprovar renda, os idosos relataram ao Jornal Midiamax, que o ato de adquirir uma passagem gratuita, que é direito deles, é custoso.

Para Odilson Cardoso, 68 anos, a volta do interior para a Capital é sempre mais difícil. “Eu sempre viajo, eles pedem para reservarmos com sete dias de antecedência. Mas quando é para voltar do interior é sempre mais difícil e se precisar voltar às pressas tem que pagar a passagem inteira porque não consegue a gratuita nem a com 50% de desconto”, contou.

Há também quem não consiga nem o benefício em razão da comprovação de renda. “Eu tenho muito problema aqui, não consigo nem pagar os 50%. No Nordeste não tinha esse problema. Mas aqui não consigo porque minha aposentadoria é alta, dizem”, explicou Francisco Pires de Souza, 76 anos.Asseguradas por lei, passagens gratuitas ainda são desafios para idosos

O também aposentado, Gumercindo Azevedo, 76 anos, acredita que a falta de fiscalização na venda seja uma das maiores dificuldades. “A gente encontra muita dificuldade para conseguir essas passagens. Chega lá fala que não tem mais a gratuita, a gente paga a de 50%, aí entra no ônibus tá vazio. Já disseram para a gente que muita gente que reserva não vai, e a gente que precisa acaba tendo que pagar as vezes a passagem inteira. Precisava ter uma fiscalização. Se lá no guichê mentirem a gente nem sabe”, afirmou.

Aureliano Souza Carneiro, 79 anos também acredita que a alta de fiscalização atrapalhe um pouco. “Não tem ninguém para certificar para gente que a passagem reservada para a gente já foi vendida mesmo. A gente precisa acreditar na atendente, mas e se ela tiver faltando com a verdade? Se a gente brigar ainda vai falar que é mal-educado”, falou.

Acompanhada pela mãe Conceição Alcaraz, 81 anos e uma outra idosa Ramona Ribeiro, 78 anos, a aposentada Maria Estela Alcaraz, 65 anos, disse ao Jornal Midiamax, que muitas vezes teve o direito negado por alegarem já não ter mais lugar reservado. “Já tivemos que pagar a passagem inteira, porque falaram que não tinha mais a gratuita. Eles negam e acabam colocando gente no lugar, precisam fiscalizar as empresas. Já chegamos e o assento estava ocupado por gente mais nova”, concluiu. 

De acordo com Ailton Batista Ribeiro, secretário do Rodosul (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado De Mato Grosso do Sul), a procura por esse tipo de passagem é bem grande, e por isso é importante a reserva. “As empresas tem reservadas duas poltronas 100% gratuitas e duas tarifadas em 50%, para os idosos em cada ônibus. É importante lembrar que a população idosa tem aumentado e por isso é necessário que se faça uma reserva antecipada”, disse.

A reportagem entrou em contato com a Agetran (Agência Municipal de Trânsito e Transporte) e a Sedhast (Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho) para mais detalhes sobre regras e fiscalização,  mas até o fechamento do texto não houve retorno 

Jornal Midiamax