Além do ponto, Prefeitura quer monitorar prontuários nos postos

Prontuários eletrônicos devem monitorar a saúde na Capital
| 18/04/2017
- 16:25
Além do ponto, Prefeitura quer monitorar prontuários nos postos

Prontuários eletrônicos devem monitorar a saúde na Capital

A Prefeitura de Campo Grande deve instalar, além do sistema de ponto, prontuários eletrônicos para monitorar o expediente dos médicos das unidades municipais de saúde. A estratégia, também considerada essencial para melhorar a qualidade da informação e o controle das atividades, vai supervisionar os horários e o ‘rendimento’ dos plantões.

Uma série de reportagens publicadas pelo Jornal Midiamax mostrou a dificuldade que a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) enfrenta para monitorar os médicos que prestam serviço pela prefeitura. Atualmente, a jornada de trabalho é monitorada de forma manual, passíveis de alterações e, nem sempre de acordo com a realidade. 

A iniciativa anunciada pelo secretário de saúde Marcelo Vilela, tem como ponto de partida a oferta de um sistema, o e-Sus. O plano, segundo ele, é instalar o prontuário eletrônico, que deve monitorar não só o horário de chegada e saída, como também a quantidade de pacientes atendidos. “O ponto faz o médico chegar às 7 horas, agora lá dentro (do consultório) a gente não sabe. Com o prontuário eu sei quantas horas o médico vai parar, e hoje não tem como saber”. 

O secretário afirmou ainda que a supervisão a respeito do que os médicos fazem durante a jornada de trabalho será mais rigorosa, para evitar o famoso atendimento ‘conta gotas’. “Acham que atender 20 pacientes é muito. Eu já cheguei a atender 100 pacientes durante plantão de doze horas”, comparou. 

Marcelo explicou que Campo Grande utiliza o sistema Hygia, um banco de dados que registra as consultas agendas, pacientes e procedimentos, mas está desatualizado. “O primeiro desafio é converter banco de dados em linguagem atual. O que a gente tem é arcaico, e isso já monitora horário, mas tem que atualizar”. 

O método foi lançado em outubro do ano passado pelo Ministério da Saúde, e é utilizado em 2 mil cidades brasileiras, mas ainda não tem previsão de quando será usado na Capital. A maior dificuldade apontada pelo município é a conexão de internet, que é via rádio e apresenta baixa capacidade de transmissão de dados. 

A proposta do prontuário também prevê que todas informações dos pacientes fiquem em um banco, o que permitiria aos profissionais terem acesso a histórico, sintomas, exames realizados, remédios usados. “40% dos exames são esquecidos, o paciente não retorna para saber o resultado”, comentou. 

‘Caixa-preta’ no ponto dos médicos

Em uma das situações flagradas pela equipe de reportagem, três de cinco médicos plantonistas do setor de pediatria (escalados o período matutino e vespertino) deixaram o posto de trabalho para “almoçar fora”, em horário considerado de pico e sem previsão de retorno. Com a saída, o atendimento infantil foi concentrado nos dois profissionais que restaram. 

 Uma das funcionárias da unidade defendeu a ausência dos médicos, e explicou que os profissionais saíram para se alimentar. ““Eles têm que almoçar, concorda? Isso que vocês não estão entendendo”. E continuou: “médico também fica doente, tem que almoçar. Ainda mais ela, que toca um plantão de 12 horas”.

Para coibir falhas, a Prefeitura tenta instalar ainda neste mês em torno de 700 pontos eletrônicos para controlar a frequência dos médicos, enfermeiros e demais funcionários, a partir do terceiro bimestre 140 serão ser instalados. O investimento será de R$ 1,4 milhão. Nesse meio tempo, o acompanhamento de horários é feito na abertura de cada plantão, pela gerência da unidade, segundo informado pela assessoria da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde).

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