Cotidiano

VÍDEO: advogado acusa defensor público de bater em carro e deixar prejuízo

Juizado de Trânsito atende cerca de 300 ocorrências por mês

Clayton Neves Publicado em 25/02/2016, às 19h12

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Juizado de Trânsito atende cerca de 300 ocorrências por mês

O que poderia ser mais uma das cerca de 300 ocorrências atendidas mensalmente pelo Juizado de Trânsito em Campo Grande acabou se tornando um problema entre colegas. Depois de parar no estacionamento de uma loja de Campo Grande e ter o carro danificado, o advogado Pedro Dip, de 30 anos, diz que Danilo Coelho Neves, defensor público aposentado, seria o responsável pela batida e teria deixado o local 'de fininho'.

Segundo Pedro, na quarta-feira (24), ele e a esposa foram até uma loja de materiais de construção na saída para Três Lagoas. Por volta das 9h20, Danilo, que tem uma Toyota Hilux, bateu no carro do advogado, uma caminhonete Ranger Sport no estacionamento da loja.

Nas imagens da câmera de segurança da loja, é possível ver que, depois da batida, o defensor público desce do automóvel, verifica o suposto estrago e, em seguida, sobe novamente no veículo e vai embora. Com as imagens, o advogado conseguiu identificar a placa do carro e chegar ao outro motorista.

No entanto, procurado por Pedro, o aposentado teria, segundo o advogado, assumido que bateu no automóvel e afirmado que não iria arcar com os prejuízos.

“Ele simplesmente virou e disse que não iria pagar e que se eu quisesse receber teria que acioná-lo judicialmente. Isso é um completo absurdo, principalmente vindo de um homem que deveria zelar pelo interesse coletivo, já que é um defensor público”, desabafa o advogado.

Procurado pela reportagem, Danilo Coelho assumiu a responsabilidade pela batida, que classificou como “insignificante”. “Eu falhei por não ter procurado o dono do outro carro, mas não foi um acidente, é só uma batida”, minimiza.

De acordo com o aposentado, existe por parte dele o interesse de pagar pelo conserto do automóvel que teve a lanterna do carro trincada e arranhões, contudo, o valor que segundo ele foi exigido por Pedro é exagerado. “Não estou me recusando a pagar, mas ele me procurou todo nervoso e me pediu um valor absurdo, cerca de R$1,400 pelo conserto de uma lanterna que trincou”, afirma.

Como se sentiu lesado, o advogado Pedro Dip registrou um boletim de ocorrência e diz que vai levar o caso até a Justiça.

“Batidinhas”

Batidas no trânsito não são questões insignificantes, principalmente para quem fica com os prejuízos materiais. De acordo com o Juizado de Transito de Mato Grosso do Sul, “uma pequena batida, pode gerar um grande dano”. Para isso, muitas questões são levadas em consideração, como valores dos automóveis e o diálogo entre os envolvidos, que caso não seja pacífico, pode gerar danos bem maiores que os materiais.

Nos últimos 30 dias, o órgão de trânsito registrou 306 atendimentos na Capital. Destes, 297 foram solucionados por meio de conciliação, um total de mais de 97% do total.

O Juizado de Trânsito pode ser acionado pelo telefone 159 ou 0800-647-1333. Em Campo Grande, cada unidade móvel do órgão tem uma equipe composta por um conciliador, um policial militar de trânsito e um motorista, pata atendimento de acidentes que ocorrerem no horário das 7 horas horas às 22 horas, de segunda-feira a domingo. Não há interrupção do nosso atendimento em nenhuma data comemorativa ou festiva.

Existem alguns impedimentos para o atendimento pelo Juizado de Trânsito, como por exemplo:

– não haver lesão (alguém envolvido esteja machucado, com dor, escoriado, ralado, etc);

– não ocorrer dano a patrimônio público;

– nenhum condutor aparentando sintomas de embriaguez ou de estar sob efeito de drogas psicoativas;

– não haver envolvimento de nenhum veículo oficial;

– que, pelos menos, um dos envolvidos seja uma pessoa física, ou uma Micro-Empresa ou uma Empresa de Pequeno Porte;

– não haja nenhum condutor ou veículo com documentação irregular, como por exemplo: licenciamento em atraso, condutor com habilitação vencida ou sem habilitação.

Mesmo com as limitações pontuadas, o Juizado explica que os fatos não impedem que as partes envolvidas em acidentes possam procurar o órgão para formalizar um acordo e solicitar a homologação de um juiz, mesmo sem o registro do caso. O Juizado de Trânsito fica na Rua Antônio Corrêa, 85 – Centro.

De acordo com a última estatística do Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito) disponível, somente em Novembro do ano passado, as pequenas “batidinhas”, representaram um total de 39% dos acidentes de trânsito registrados em Campo Grande, cerca de 265 casos.

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